As oportunidades de negócios fora do eixo Rio-São Paulo foram abordadas pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, em painel do evento Brazilian Regional Markets (BRM), realizado na terça-feira, 18/2, em Brasília. Com participação também do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, o BRM divulga oportunidades de negócio e investimento em regiões consideradas promissoras do país.
Cappelli integrou o painel “Negócios que movem o Brasil: empreendedorismo regional e desenvolvimento” ao lado de representantes de entidades empresariais, financeira e de saúde. No debate, o presidente da ABDI deu destaque ao Brasil Mais Produtivo, programa ao qual a Agência fornece suporte técnico e operacional, contrata e gerencia serviços de consultoria técnica para as empresas, sistematiza dados e monitora a execução dos atendimentos.
Segundo Cappelli, dos 93 mil atendimentos presenciais previstos pelo programa, cerca de 48% já foram alcançados. “São resultados bastante interessantes, porque as empresas médias e industriais já atendidas, até o momento, estão apresentando um aumento da produtividade de 40% na média, que é um saldo bastante razoável”.
A equalização dos atendimentos nas diferentes regiões do país foi lembrada pelo presidente da ABDI como um desafio permanente – até agora, 49% dos atendimentos foram concentrados na região Sudeste. “Foram 17%, no Sul; 16%, no Nordeste; quase 12%, aqui, no Centro-Oeste; e 5%, somente, na região Norte”, enumerou.
“Esse é um desafio do Brasil Mais Produtivo. Trabalhar de forma mais efetiva a regionalização e os desempenhos regionais que se manifestam no Brasil em todos os programas”, analisou. “Eu acho que a questão do equilíbrio regional é um desafio permanente que nós, como sociedade, temos que perseguir no Brasil”.
Certificação de vinhos e comércio eletrônico
O comprometimento da ABDI com o desenvolvimento e o empreendedorismo regional também foi ilustrado por Cappelli com o financiamento, pela Agência, de um laboratório de certificação de vinhos no Distrito Federal, estrutura ainda restrita à região Sul do país, e pelo Edital E-Commerce, destinado à elaboração de soluções inovadoras para o comércio eletrônico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, cujas inscrições foram prorrogadas até o dia 24 de fevereiro.
“O edital é focado no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste porque os dados do comércio eletrônico apontam que 90% do comércio eletrônico está concentrado no Sudeste e no Sul – 73%, no Sudeste, e 17%, no Sul”, explicou.
Cappelli destacou, por fim, as possibilidades e o potencial de desenvolvimento oriundos da exploração de petróleo no arco norte do país em favor do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. “A exploração do petróleo na margem equatorial pode gerar um ciclo de desenvolvimento no Brasil, em todo o Arco Norte, movimentando toda a indústria e todo o setor de serviço da região”.
Parcerias público-privadas
O BRM também jogou luz sobre o papel do Executivo como importante catalisador de negócios nas regiões. No Painel “Integração entre Governo Federal e Governo Estadual para desenvolvimento dos mercados regionais”, Geraldo Alckmin debateu com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, a importância de marcos regulatórios e estruturas fiscalizatórias sólidas para a atração de investimentos e parcerias público-privadas (PPP).
“Concessão, por exemplo, eu tenho uma tarifa, essa tarifa cobre o investimento e eu não preciso pôr nenhum centavo do governo. E PPP, quando eu faço uma parceria com o privado, um pouco é do governo, um pouco é do privado, e ganha a PPP que exige menor participação, melhor acordo por parte do governo”, disse.
“Qual o segredo? Bom marco regulatório e fiscalização”, atestou, depois de também analisar os avanços da NIB e as oportunidades de investimentos regionais na transição energética.
Primeira edição de 2025
Os mercados regionais brasileiros mencionados pelos organizadores do BRM são as oportunidades de negócio localizadas fora do eixo Rio-São Paulo. A referência destaca os estados do Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e do Centro-Oeste brasileiro.
Nos últimos anos, essas regiões têm se destacado como impulsionadores do desenvolvimento econômico brasileiro em importantes setores da economia brasileira, como agronegócio, energia, infraestrutura, tecnologia, petróleo e gás, mineração, comércio exterior e turismo.
Promovido pela plataforma de investimentos e serviços financeiros Apex e pela Record Brasília, o encontro desta terça-feira foi a primeira edição do Brazilian Regional Markets em 2025. Os demais eventos serão realizados em São Paulo e Nova Iorque (EUA).