O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, participou nesta quarta-feira, 25/3, no Hotel Royal Tulip, em Brasília, do evento Margem Equatorial e Políticas Públicas. O encontro discutiu com autoridades, especialistas, representantes da indústria e líderes ambientais o potencial petrolífero da costa norte do país, seus desafios e as políticas públicas decorrentes dos royalties oriundos da atividade.
Cappelli participou do painel de encerramento do evento, denominado “A Importância da Margem Equatorial e o Futuro do Amapá”. Acompanhado pela diretora de Infraestrutura e Transição Energética do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Luciana Costa, e pelo governador do Amapá, Clécio Luís, o presidente da ABDI refletiu sobre os impactos da exploração petrolífera no desenvolvimento da indústria da região.
“Temos quase 30 milhões de brasileiros morando na Amazônia brasileira e que anseiam por um projeto de desenvolvimento que estruture a vida dessas pessoas”, afirmou Cappelli, defendendo a relevância da discussão.
O presidente da ABDI dimensionou o potencial econômico da exploração das reservas descobertas no arco norte. “É fundamental termos claro o que vai significar para o Brasil e para a indústria brasileira a exploração do petróleo na margem equatorial”.
“Lá, a reserva estimada é de 30 bilhões de barris de petróleo, três vezes o que tem na Guiana”, apontou, referindo-se à forte expansão do PIB do país vizinho nos últimos anos, graças à exploração de poços de petróleo encontrados em sua costa: 62%, em 2022, e 43,8%, em 2024, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo dados da CNI sobre o potencial da margem equatorial, prosseguiu Cappelli, toda cadeia produtiva relacionada à indústria petrolífera e de gás pode resultar na geração de mais de 3 milhões de empregos nesses estados.
“Imagino como isso muda todo o arco norte do Brasil. Isso muda o Amapá, isso muda o Pará, isso muda o Maranhão, o Piauí, o Ceará e o Rio Grande do Norte. Cria um ciclo de desenvolvimento naquela região, que é uma das regiões mais pobres do país”, concluiu.
A participação de Cappelli também abordou a importância da transição energética – segundo ele, um compromisso do Brasil com a sustentabilidade. “É claro que o país têm compromisso com o desenvolvimento sustentável, com a proteção ao meio ambiente. O Brasil está comprometido com a transição energética, mas a gente precisa compreender que ela não acontece do dia para a noite”, lembrou.

“Se a gente pegar a história da evolução das novas fontes de energia no mundo, a gente vai ver que as novas fontes aparecem e vão durante um longo período de tempo convivendo entre si”, disse, ressaltando que o Brasil dá exemplo para o mundo de energia não poluente, com 93% de sua matriz elétrica limpa e mais de 50% de sua matriz energética em igual condição.
Fundo Amazônia
Sem exclusão dos benefícios mencionados por Cappelli ao desenvolvimento industrial e econômico da região, o governador do Amapá apontou a possível exploração do pré-sal do arco norte como uma importante fonte de recurso para a preservação da Amazônia.
“Para fazer, alguém tem que pagar. E há uma matriz econômica, energética, que pode perfeitamente pagar essa conta, a exemplo da Noruega”, disse Clécio Luís, referindo-se ao Fundo Amazônia, custeado em grande parte pelo país nórdico que tem, no petróleo, um dos principais motores de sua economia.
“O estado não quer ser apenas um santuário de preservação, mas, sim, um exemplo de como é possível sonhar com progresso social e econômico, sem abrir mão da responsabilidade ambiental”.
Também participaram do encontro em Brasília, entre outros, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP); a secretária de Meio Ambiente do Amapá, Taísa Mendonça; a secretária de Povos Indígenas, Sonia Jeanjacque; o prefeito de Maricá, Washington Quaquá; o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar; e o presidente do Clube de Engenharia do Brasil, Francis Bogossian.