ABDI realiza oficina com grupo da UFPA que atua para potencializar pequenos negócios no PA

ABDI realiza oficina com grupo da UFPA que atua para potencializar pequenos negócios no PA

Iniciativa paraense foi mapeada pelo projeto “Bioindústria da Amazônia”, realizado pela Agência em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
Reunião bioeconomia da indústria

Fruto do mapeamento promovido pelo projeto “Bioindústria da Amazônia”, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promoveu um encontro, nesta terça-feira (8), com pesquisadoras da Universidade Federal do Pará (UFPA). O grupo, ligado ao movimento universitário internacional Enactus, desenvolve e aplica modelos para a organização de pequenos negócios na região metropolitana de Belém.

Em fase final de desenvolvimento, o projeto vai estruturar um banco de dados com informações atualizadas e confiáveis sobre a bioindústria presente nos nove estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).

O objetivo é que as informações do monitoramento subsidiem a formação de políticas de incentivo ao setor, além de facilitar a promoção e difusão da bioindústria no Brasil. O levantamento da cadeia produtiva da bioindústria da Amazônia é feito por meio de um convênio firmado entre a ABDI e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

O encontro desta terça foi mediado por Ricardo Araújo, analista de Produtividade e Inovação da ABDI e líder do projeto “Bioindústria da Amazônia”. Ele destaca que o monitoramento tem identificado as dificuldades enfrentadas pelos negócios da região e encontrado novos modelos de negócios. “Descobriu-se quais são os gargalos, onde essas bioindústrias estão tendo dificuldades e não conseguem evoluir. Nosso objetivo é tentar fazer com que essas empresas deslanchem”, destaca Ricardo Araújo.

O levantamento vai possibilitar a verificação de busca por alternativas de tecnologias e financiamentos sustentáveis para as bioindústrias. “Trata-se de um mercado que reúne diversas atividades que tentam manter renda, dignidade e progresso social, com a floresta viva, em pé e produtiva”, complementa Ricardo.

Nesta terça, as pesquisadoras paraenses apresentaram soluções que têm aplicado em dois pequenos negócios da região metropolitana de Belém. São dois projetos:

Aruanas: projeto de bioeconomia que busca valorizar a cadeia produtiva da região;

Biolume: projeto de energia limpa em territórios ribeirinhos.

A presidente da Enactus UFPA, Evelyn Mesquita, explica os gargalos encontrados nos dois projetos. No Aruanas, havia a desvalorização dos insumos amazônicos, como frutas (cupuaçu e bacuri), e, consequentemente, dos produtos finais, que eram vendidos por um valor abaixo do ideal.

Já o Biolume identificou que a falta de energia em comunidades remotas era uma trava para o desenvolvimento de negócios. “A gente vai às comunidades, conversa com elas e verifica os pontos estratégicos. É uma energia pública. Então, a gente instala postes movidos a energia solar nos locais em que há mais movimentação de pessoas”, explica Evelyn.

“Através das trocas de conhecimentos de hoje, a gente conseguiu perceber algumas melhorias necessárias. A gente sai daqui com vontade realmente de mudar, de melhorar cada vez mais os nossos negócios e também implementar tudo que foi citado para a gente, para conseguir cada vez mais alavancar e chegar em mais regiões”, emendou a pesquisadora.

O encontro também teve participação de Rafaela Reis, coordenadora de Bioeconomia da Diretoria de Políticas Públicas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

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Mais investimentos

Além do projeto “Bioindústria da Amazônia”, a ABDI oficializou um aporte de R$ 2 milhões no Fundo Catalítico da Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), plataforma de financiamento de negócios sustentáveis vinculada ao Instituto Amazônia+21. Com o investimento, a ABDI passa a integrar o conselho estratégico do fundo e a compartilhar sua governança com entidades de peso, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco da Amazônia, a Energisa e os institutos Itaúsa, Arapyaú e Clima e Sociedade (ICS).

Em paralelo, a ABDI e a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA) assinaram um convênio com o objetivo de estruturar um hub de bionegócios e inovação no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus. Valorizando a biodiversidade da região, o projeto promete fomentar tecnologias voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais, fortalecer negócios locais e gerar emprego e renda para as comunidades. O convênio prevê o aporte de cerca de R$ 2,85 milhões a realização da iniciativa.

Cenário

Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o PIB da Bioeconomia no Brasil alcançou R$ 1,44 trilhões em 2022. No mesmo ano, o mercado brasileiro exportou mais de 162 bilhões de dólares em produtos do tipo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que a bioindústria gera cerca de 22 milhões de empregos em todo o mundo.