Durante o XXXII Fórum AICEP das Comunicações Lusófonas, realizado nesta terça-feira (13), em Salvador (BA), o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, reforçou a importância da atuação conjunta entre os países de língua portuguesa para enfrentar os desafios da inovação, da transformação digital e da sustentabilidade.
Com o tema “Sustentabilidade, Inovação e Transformação Digital – uma visão integrada para o futuro”, o evento foi coorganizado pelos Correios do Brasil e pela AICEP – Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa. O encontro reuniu representantes de diversos países lusófonos para discutir temas estratégicos do setor de comunicações e fomentar a cooperação internacional.
A solenidade de abertura contou com a presença de Fabiano Silva dos Santos, presidente dos Correios do Brasil e do XXXII Fórum AICEP, e de João Caboz Santana, presidente da Direção da AICEP.
Convidado a palestrar no evento, Ricardo Cappelli apresentou iniciativas em andamento no Brasil que demonstram o potencial da tecnologia para transformar a relação entre o Estado, as empresas e a sociedade. Entre os exemplos citados, destacou o Contrata Mais Brasil, plataforma digital baseada em uma experiência de Recife (PE), que conecta pequenos prestadores de serviço a demandas públicas.
“Por exemplo, se uma torneira quebra em uma escola, os empreendedores recebem um aviso via WhatsApp, participam de um leilão reverso, o menor valor é contratado e o pagamento é feito via Pix, diretamente pela escola”, explicou Cappelli, ressaltando como a digitalização pode aumentar a eficiência e democratizar o acesso a oportunidades.

Cultura da inovação no setor público
Segundo o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, a Agência também atua para estimular a cultura de inovação dentro da administração pública, oferecendo suporte técnico e jurídico para que gestores utilizem os instrumentos previstos na Lei de Inovação e possam encomendar soluções personalizadas as suas demandas.
“As compras públicas têm um enorme potencial para impulsionar a inovação, principalmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, por exemplo, temos o SUS, um dos maiores sistemas de saúde do mundo, que provavelmente realiza a maior compra pública na área da saúde em escala global. Vamos utilizar esse poder de compra para estimular a inovação no país”, destacou.
Outro ponto abordado por Cappelli foi o esforço da ABDI para reduzir as desigualdades regionais no comércio eletrônico. “Hoje, cerca de 90% do e-commerce brasileiro está concentrado nas regiões Sul e Sudeste. Os outros 10% estão espalhados entre o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por isso, a ABDI tem lançado editais que premiam startups ligadas a redes de inovação, que apresentam soluções voltadas para marketplaces e estratégias de vendas digitais. As vencedoras têm a obrigação de levar essas soluções para outras empresas, promovendo a disseminação da tecnologia e da inovação pelo país”, explicou.
Investimento em transformação digital e inteligência artificial
Cappelli também destacou o programa Brasil Mais Produtivo, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A iniciativa, que tem a ABDI como instituição parceira, tem como meta atender 200 mil empresas industriais até 2027, sendo 93 mil por meio de atendimentos presenciais e personalizados, com foco na transformação digital e no aumento da produtividade.
“Tudo isso a partir de um grande esforço do Estado. Estamos falando de um investimento de mais de R$ 2 bilhões no programa Brasil Mais Produtivo, voltado para ajudar as empresas brasileiras a se tornarem mais digitais, produtivas e competitivas. Esse é um caminho sem volta”, afirmou.
O presidente da ABDI ainda chamou a atenção para o impacto ambiental das novas tecnologias, especialmente da inteligência artificial. “Estamos falando de volumes de energia jamais vistos na história. Como vamos produzir essa energia de forma sustentável? Quem vai financiar isso?”, questionou, ao defender que os debates sobre transformação digital e sustentabilidade devem caminhar lado a lado.
Segundo ele, a COP30, que será realizada em 2025 na Amazônia brasileira, em Belém (PA), representará uma oportunidade estratégica para aprofundar essa discussão. “Transformação digital e inovação trazem consigo um debate fundamental sobre sustentabilidade”, ressaltou.
Encerrando sua fala, o presidente da ABDI defendeu uma postura otimista diante dos desafios do mundo contemporâneo. “Vivemos na sociedade dos três segundos. Então como que a gente resolve isso? Com transformação digital, com inovação, sabendo que isso vai demandar muito mais energia, mas com sustentabilidade e conseguindo superar as assimetrias. Acho que esse é o desafio do século 21”, afirmou.
