O segundo dia do Festival Internacional Curicaca de Inovação e Sustentabilidade na Indústria, realizado na Associação Comercial e Industrial de Taguatinga (ACIT), foi uma verdadeira celebração da criatividade, da cultura e do empreendedorismo local. A programação deste domingo (25) reuniu desde oficinas voltadas ao fortalecimento dos negócios até atrações culturais que transformaram o espaço em um encontro intergeracional, tecnológico e cheio de cores.
Logo pela manhã, a oficina “Tecnologia Simples para Problemas Reais” atraiu dezenas de empreendedores locais em busca de ferramentas práticas para organizar e fortalecer seus negócios. Ministrada por Anelise Witt, professora do IDP e especialista em tecnologia, direitos digitais e participação cidadã, a atividade foi um mergulho no uso da inteligência artificial e de modelos de negócio aplicáveis, de forma acessível, para quem empreende, especialmente nos setores de comércio e serviços.
A proposta era clara: mostrar que não é preciso ser especialista em tecnologia para usar ferramentas digitais a favor do próprio negócio. Durante a oficina, Anelise apresentou conceitos de modelagem de negócios, exemplificou o uso de plataformas como o ChatGPT e conduziu exercícios práticos, onde os participantes puderam refletir sobre seu público-alvo, custos, estratégias e diferenciais.
“A modelagem de negócios é uma ferramenta realmente muito famosa e muito útil para quem tem um negócio. Às vezes começamos meio no feeling e não paramos para pensar nisso. Esse modelo ajuda a mapear possibilidades e a ter mais certeza do que queremos empreender”, afirmou.

Ela destacou ainda que empreender no Brasil, muitas vezes, surge mais da necessidade do que da oportunidade, e que ferramentas como a inteligência artificial podem fazer uma grande diferença no caminho de quem está começando ou quer estruturar melhor seu trabalho. “Ser empreendedor é muito mais do que ter um negócio, é ter atitude para fazer acontecer. A gente sonha com um mundo ideal, mas precisa trabalhar com o que é factível, o que está ao nosso alcance hoje. Essa mentalidade empreendedora vale para quem tem um negócio e também para quem está no mundo corporativo”, completou.
A artesã Oneide Silva, que trabalha com produção de bolsas artesanais, participou da oficina e reforçou como esse tipo de conhecimento é essencial para quem, como ela, está buscando crescer. “Estou tentando organizar meu WhatsApp e estruturar melhor meu Instagram. Ainda não é uma página de vendas, é mais de divulgação, mas eu vejo que esses conteúdos são muito importantes. Eu preciso muito disso para o meu negócio”, afirmou.

Enquanto a oficina acontecia, a feira de produtos seguia movimentando o espaço. No local, empreendedores de Taguatinga apresentaram seus trabalhos, com produtos artesanais e locais.
A arena gamer, os óculos de realidade virtual, o domo planetário e a área kids também seguiram funcionando durante todo o dia, oferecendo diversão e experiências imersivas para famílias inteiras.
O universo geek toma conta do festival
No início da tarde, um dos momentos mais aguardados começou a tomar conta do palco principal: o Campeonato de Cosplay, que reuniu fãs de animes, games, séries e quadrinhos, transformando o espaço num verdadeiro desfile de criatividade, fantasia e expressão cultural.
Personagens clássicos e atuais ganharam vida nas performances dos cosplayers, que foram avaliados por critérios como fidelidade ao personagem, criatividade, acabamento dos figurinos e presença de palco. Aberto ao público e com inscrições gratuitas, o concurso atraiu tanto quem pratica o cosplay há anos quanto quem estava apenas começando na cultura geek.
A atriz, cantora e cosplayer Sigrid Laufey, uma das juradas do evento, escolheu representar a personagem Yae Miko, do jogo Genshin Impact. Ela contou que sua relação com o universo do cosplay já tem cerca de dez anos e começou, como acontece com muitos, por amor aos personagens e ao universo lúdico que eles representam.

“Eu comecei porque gostava muito desse universo de fantasia, desse mundo lúdico. E isso é algo que eu tento carregar até hoje, sabe? Vem muito da diversão. Ninguém gasta tempo e dinheiro para fazer roupa, peruca, acessório de um personagem que não gosta. É uma experiência que me completa, me faz muito bem”, disse.
Sigrid também destacou que o cosplay é muito mais do que uma caracterização. Para ela, é uma prática que constrói comunidade, fortalece amizades e se tornou um espaço de pertencimento. “É um nicho social, é um hobby que fez muita diferença na minha vida. Conheci muita gente querida, fiz amigos próximos, de confiança. É como qualquer outro hobby, a gente começa pelas coisas que gosta, pelos personagens, pelos jogos, pelas séries, e logo está combinando de fazer grupo, de ir junto pros eventos. Estar aqui é algo que eu realmente gosto muito, sempre que posso, eu venho”, afirmou.
Para ela, o evento superou suas expectativas. “Está tudo muito bonito, a montagem, o ambiente, tudo muito agradável. Acho que tem tudo para ser o primeiro de muitos outros eventos como esse. E está todo mundo muito animado, muito bem produzido”, completou.

O músico Ailton, conhecido no meio como Cosmo, escolheu seu nome artístico inspirado no personagem Cosmo, da série Os Padrinhos Mágicos. Para ele, o cosplay vai muito além do hobby — é uma manifestação de identidade e, também, uma oportunidade de negócio.
“A maioria dos cosplayers, tanto eu quanto os outros, se identifica com os personagens que faz. Tem alguma característica na história deles que bate com a gente. E depois você percebe que tem um comércio ali também: pode ser wig maker, que cuida das perucas; maker, que faz os acessórios. A comunidade é muito unida aqui em Brasília. Todo evento a gente sabe quem vai, quem está lá, a gente se segue nas redes e se apoia muito”, explicou.
O campeonato, que premiou os melhores cosplayers da tarde, virou uma grande celebração da cultura pop, reunindo crianças, jovens e adultos em torno do amor pelos quadrinhos, games, animes e filmes.

Um festival que conecta e transforma
O Festival Curicaca se despediu de Taguatinga neste domingo com a certeza de ter cumprido sua missão: criar um espaço onde inovação, sustentabilidade, cultura e empreendedorismo se encontram de forma acessível, divertida e inclusiva. Durante dois dias, milhares de pessoas circularam pela ACIT, participando de oficinas, experiências tecnológicas, shows, atividades para crianças e celebrações da cultura local e da cultura pop.
A versão itinerante do Festival passará por 10 Regiões Administrativas, de maio a setembro, levando um percurso formativo diversificado e alinhado às seis missões da Nova Indústria Brasil. Toda essa jornada de aprendizado prepara o DF para o Festival Internacional de Inovação e Sustentabilidade na Indústria, que acontecerá em outubro, na Arena BRB Mané Garrincha. A próxima edição será em São Sebastião, nos dias 28 e 29 de junho.