Debates sobre inovação, força do território e protagonismo local encerram Festival Curicaca em São Sebastião

Debates sobre inovação, força do território e protagonismo local encerram Festival Curicaca em São Sebastião

Evento realizado no campus do IFB em São Sebastião terminou nesse sábado com apresentações culturais e discussões sobre novas tecnologias, os caminhos do empreendedorismo e como iniciativas nascidas dentro das comunidades podem ser agentes de transformação social

Realizado desde sexta-feira (27/6) no campus do Instituto Federal de Brasília (IFB) em São Sebastião, o Festival Curicaca teve entre seus destaques nesse sábado (28), último dia do evento na cidade, debates sobre os caminhos do empreendedorismo local e como iniciativas nascidas dentro das comunidades podem ser agentes de transformação social. A programação também incluiu apresentações culturais, como shows musicais e quadrilha junina.

Os desafios do empreendedorismo não apenas em São Sebastião, mas igualmente nas demais regiões administrativas do DF, conduziram o painel da tarde e a participação do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, no videocast Canta Curicaca!, transmitido ao vivo do Festival.

Na conversa com Vanessa Vitória e Naldo Lopes, fundador do perfil “Ceilândia Muita Treta” nas redes sociais, Cappelli focou os elementos que fundamentam a realização do evento: transformação digital, inovação e sustentabilidade.

“A indústria do futuro é sustentável, ela é inovadora, ela trabalha com energia limpa. Quando a gente fala sobre tudo isso, as pessoas que não estão familiarizadas com esse debate acabam achando que é uma coisa muito longe do dia a dia delas”, disse o presidente da ABDI.

Conscientizar o pequeno empreendedor sobre os novos tempos, prosseguiu, é o que levou a Agência a se aproximar da população das regiões administrativas do DF. “A gente quer não só envolver a população, mas também plantar uma semente da democratização sobre esse debate que está ligado diretamente ao nosso futuro”, explicou.

“A indústria do futuro não tem mais chaminé e fumaça, a indústria do futuro é inovadora, ela trabalha com as tecnologias de comunicação, a comunicação mudou a vida das pessoas, a comunicação está mudando a indústria, está mudando os mercados. Então, é fundamental, hoje, haver canais de venda pelas plataformas de vendas, o mercado eletrônico. A indústria, as empresas que não estão nisso, elas estão completamente fora.”

Vanessa Vitória, Ricardo Cappelli e Naldo Lopes no videocast Canta, Curicaca!, transmitido durante o Festival, em São Sebastião


Campo de ação

No palco do evento, o painel “Empreender no que é nosso: desafios e força do território” discutiu o tema com empreendedores locais, como o catador de materiais recicláveis João Santana, da cooperativa Ecolimpo. Para ele, o mais importante é sair do discurso e partir para a prática. “A palestra é legal, o assunto é legal, mas ele precisa sair da fala para o campo de ação. No empreendedorismo, é isso que a gente faz: vai para o campo de ação para mudar o resultado, transformar ideias e a vida das pessoas.”

Além da troca de experiências, o painel aproximou os empreendedores de entidades e autoridades. “É importante estreitar o laço de quem trabalha na ponta com os órgãos que possam enxergar essas comunidades que, às vezes, são esquecidas”, reforçou Santana, interessado na crescente transformação digital de seu negócio.

A empreendedora e artesã Kennya Ramos destacou o fortalecimento das parcerias locais proporcionado pelo evento. “A gente acaba se aproximando mais da comunidade, faz parcerias, e isso é muito importante tanto para o projeto como para a cooperativa”, afirmou.

Manoel Arcanjo, presidente da Associação dos Empreendedores da Região Leste do DF, participou do debate com elogios à iniciativa e ao impacto do Festival. “Isso traz a essência do que São Sebastião está querendo, que é o empreendedorismo para mudar vidas. Esse festival me surpreendeu, é muito legal ver crianças, jovens, adultos e idosos participando, com comércio, empreendedorismo e games.”

O maior ganho do painel é democratizar o conhecimento e inspirar novas soluções, disse a advogada e especialista em direito societário, Juliana Vieira. Ela destacou, ainda, o potencial da juventude de São Sebastião. “Fiquei maravilhada com os jovens trazendo soluções para a comunidade. É isso que a gente precisa: inspirá-los a empreender, a buscar liberdade e soluções que beneficiem o próprio território”, celebrou.

O espaço de debate do Festival também recebeu o divulgador científico Domingos dos Santos Netto, que tratou do uso de experimentos no ensino de Física e Matemática. 

Arena Gamer

Ao lado da feira de artesanato do Curicaca, o encontro no IFB ofereceu ao público uma Arena Gamer com espaço para jogos, pista de just dance e óculos de realidade virtual.

Acompanhando o filho no evento, a servidora pública Noelle Prado destacou o quanto é importante se conectar com as novidades. “Inovação e tecnologia estão em tudo na nossa vida. Valeu a pena conhecer, o que eu mais gostei foi a dança, porque eu adoro. E a tecnologia abre o leque de conhecimentos, aprofunda a cultura, mas tem que ser com moderação”, destacou a mãe.

Para o desenvolvedor de jogos Isaac Fausto, a Arena Gamer cumpre um papel educativo fundamental. “A tecnologia chegou e a gente tem que saber usar. É muito melhor ensinar e mostrar como funciona, do que depois culpar a sociedade. Não importa se é numa arena gamer, numa palestra ou exposição, tem que ter essa informação”, observou, reforçando como o incentivo é fundamental para as crianças evoluírem.

Apresentações culturais também integraram o último dia do Festival Curicaca em São Sebastião. A cantora Ane Êoketo abriu a programação do sábado, seguida pela quadrilha junina Formiga da Roça (foto) e, no início da noite, pela banda de forró Só pra Xamegar.

Fotos: Thaís Holanda