Audiência na Câmara dos Deputados debate impacto dos juros altos no setor produtivo nacional

Audiência na Câmara dos Deputados debate impacto dos juros altos no setor produtivo nacional

Presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, discutiu as dificuldades impostas à indústria pela segunda maior taxa do mundo

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, participou nessa quarta-feira, 2/7, na Câmara dos Deputados, da Audiência Pública “Elevadas taxas de juros no Brasil: entraves para a reindustrialização brasileira, a transição energética e a descarbonização”. O encontro reuniu parlamentares e especialistas em reflexões sobre o impacto das taxas no consumidor e nos investimentos do setor produtivo em produção, expansão da capacidade e inovação.

Antecedido por críticas da presidenta do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Tânia Teixeira, do conselheiro da entidade, Antônio Lacerda, e do deputado Mauro Benevides Filho à atual taxa de juros do país – 15% ao ano, a segunda mais alta do mundo –, e convergindo com elas, Cappelli dimensionou seguidamente, no debate, a força da indústria nacional. Um desempenho que, em detrimento das dificuldades econômicas impostas pelo alto custo de endividamento, registra crescimento nos últimos anos.

“Como é que você faz indústria quando a taxa de retorno da especulação rentista é muito superior à taxa de retorno do investimento no capital produtivo? Como é que você faz indústria desse jeito? A indústria, mesmo assim, está crescendo no Brasil”, apontou, provocando reflexões sobre o potencial de avanço do setor em um cenário de crédito mais adequado.

Ao aumentar sua produção em 3,8%, no ano passado, a indústria de transformação não apenas compensou com folga a queda na produção agropecuária no período (-3,2%) como criou oportunidades de emprego e renda para um número elevado de brasileiros.

Nova Indústria Brasil

O presidente da ABDI ressaltou, no encontro promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (CEDES), ações estratégicas do Governo Federal para desenvolver o setor produtivo, a exemplo da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que desembolsou, em 2024, cerca de R$ 200 bilhões em financiamentos – um desembolso que deverá alcançar, até 2026, R$ 500 bilhões.

A aprovação no Congresso Nacional da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), destinada a fomentar indústria, e a depreciação acelerada, mecanismo que permite que indústrias descontem mais rapidamente impostos de gastos realizados com a aquisição de novos bens de capital, foram algumas das articulações do governo em favor da indústria lembradas por Cappelli.

“A indústria voltou a crescer, a indústria voltou a se desenvolver, apesar de uma âncora monetária inaceitável”, observou, questionando o atual patamar dos juros em um cenário de inflação controlada. “Agora, o que fica claro para todos nós, é que esse crescimento do Brasil poderia ser muito mais vigoroso. Poderia ser muito mais forte, se não fosse essa conta incrível”. 

Presidida pelo presidente do CEDES, deputado Márcio Jerry, a audiência na Câmara também contou com as participações do gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabio Bandeira Guerra; do professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel Conceição (online); do coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Renato Conchon; e dos consultores legislativos Pedro Garrido e Aurélio Palos.

Foto: Matheus Leocádio/ABDI