Economia acelera no 1º tri: famílias e investimentos lideram retomada

Economia acelera no 1º tri: famílias e investimentos lideram retomada

Publicação da ABDI que analisa dados do IBGE aponta consumo das famílias e Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) como pilares da retomada econômica no primeiro trimestre deste ano

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), por meio da Unidade de Monitoramento e Avaliação (UMA), lançou nesta semana o primeiro Boletim das Contas Nacionais Trimestrais (Boletim CNT). O documento analisa os resultados das Contas Nacionais Trimestrais referentes ao 1º trimestre de 2025, produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e oferece uma leitura estratégica do desempenho da economia brasileira, com foco especial no setor industrial.

De acordo com os dados do IBGE analisados pela UMA, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,4% no 1º trimestre em relação ao trimestre anterior, superando as projeções de mercado. Na comparação com o mesmo período de 2024, a alta foi de 2,9%, atingindo novo recorde histórico. O avanço foi impulsionado principalmente pelo consumo das famílias (+1,0%) e pelos investimentos em capital fixo, que registraram alta de 3,1% no trimestre e de 9,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“O nosso objetivo com o boletim foi demonstrar como está a evolução dos indicadores e quais foram os principais fatores que sustentaram o crescimento, com destaque para o consumo das famílias e a formação bruta do capital fixo. Esses fatores seguraram as pontas da atividade econômica como um todo e favoreceram particularmente o setor industrial”, explica Roberto Pedreira, gerente da UMA.

Ele destaca que o consumo das famílias teve papel central no desempenho da economia. “O crescimento do PIB neste primeiro trimestre tem relação direta com fatores econômicos que influenciam o comportamento das famílias, como o aumento da renda, o nível elevado de emprego, a oferta de crédito e os programas assistenciais. Esse conjunto sustentou o consumo, que por sua vez teve papel decisivo na dinâmica da atividade econômica”, disse.

A indústria, no entanto, teve um desempenho mais contido. O setor como um todo permaneceu praticamente estável, com variação de -0,1%, quando comparado ao trimestre imediatamente anterior. A indústria de transformação recuou 1,0%, enquanto a indústria extrativa avançou 2,1%. Para Pedreira, esse comportamento revela uma combinação de pressões externas e internas.

“Apesar do consumo em alta e dos incentivos estatais, a indústria não apresentou um desempenho mais robusto por causa de fatores que limitaram sua expansão. A política tarifária iniciada pelos Estados Unidos no fim de 2024, o aumento da taxa de juros e a instabilidade provocada por conflitos internacionais criaram um ambiente de cautela”, avalia.

Esse cenário é confirmado também pelo Índice ABDI de Sustentabilidade da Expansão Industrial (ISEI), que considera razoável o desempenho da indústria no primeiro trimestre, especialmente diante de um contexto macroeconômico restritivo: alta de juros, inflação acima da meta e incertezas geopolíticas.

Segundo o ISEI, a indústria de transformação brasileira ainda tem potência para crescer no segundo trimestre e deve encerrar 2025 com resultado positivo — embora em ritmo inferior ao de 2024. O índice reforça que o consumo das famílias em alta, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e por estímulos públicos, tem sido um fator de sustentação importante para a indústria. Confira a íntegra do Boletim CNT: https://www.abdi.com.br/wp-content/uploads/2025/07/CNT_no-1_24.06.2025-Revisao-Rastreado.pdf