Cooperativas do DF começam a receber equipamentos do programa Coopera+

Cooperativas do DF começam a receber equipamentos do programa Coopera+

Programa, desenhado para se tornar modelo replicável em outras regiões do Brasil, vai investir R$ 16,9 milhões na industrialização da cadeia de reciclagem no DF; presidente da Agência, Ricardo Cappelli, visitou hoje a sede da cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia (DF)

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) começou a entregar os maquinários para industrializar a cadeia da reciclagem, como parte do programa Coopera+, que vai investir R$ 16,9 milhões em cooperativas do setor no Distrito Federal. Até agora, duas cooperativas já receberam parte dos equipamentos previstos: duas empilhadeiras para a Recicle a Vida, em Ceilândia, e uma prensa, uma empilhadeira e um trator para a Recicla Mais Brasil, no Paranoá.

O maquinário recém-chegado já mudou a realidade dos trabalhadores. Na cooperativa em Ceilândia, por exemplo, o trabalho ficou menos braçal com as empilhadeiras, facilitando o trabalho para os funcionários, a maioria formada por mulheres. Na do Paranoá, o processo foi otimizado, gerando mais renda e capacidade de produção.

Em visita à sede da Recicle a Vida, na tarde desta sexta-feira (4), o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, conferiu os novos maquinários em pleno funcionamento. “Esses equipamentos elevam a capacidade produtiva e geram ainda mais renda para os trabalhadores daqui, além de melhorar a vida das pessoas. É uma alegria muito grande conferir de perto investimentos que fazem a diferença”, disse.

Durante a visita, Cappelli conheceu toda a cadeia de produção da cooperativa e almoçou com os catadores. “Quando a gente pensa em indústria no Brasil, não dá para pensar apenas nas grandes, mas também nas pequenas indústrias que fazem um trabalho fundamental, socioambiental, como a Recicle a Vida e a Recicla Mais Brasil”, completou.

Todas as cooperativas contempladas pelo Coopera+ devem receber os maquinários em até um ano. Segundo Rogério Araújo, gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG da ABDI, os equipamentos vão melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, além de aumentar a capacidade de produção das cooperativas.

“A importância de vermos de perto o trabalho é verificar a diferença que esses equipamentos vão fazer no dia a dia. O Coopera+ é relevante, seja para promover a indústria da reciclagem, seja para melhorar o aspecto social e impactar a vida dos trabalhadores”, disse.

Impacto já sentido por Cláudia Maria Alves de Morais, presidente da Central Centro-Oeste (CCO), da qual a Recicle a Vida faz parte. Com sorriso no rosto, ela agradeceu a ABDI pelas empilhadeiras, que já fizeram diferença na rotina de trabalho. 

“Só temos a agradecer à ABDI, que nos enxergou. A gente nem acreditava que daria certo, quando de repente fomos contempladas. Não tínhamos empilhadeiras para trabalhar, então o esforço braçal era enorme e isso já diminuiu. Acho que até o fim do ano a nossa produção aumenta e o modo que a gente trabalha também, com menos esforço físico e mais qualidade de vida”, comemorou.

Além das duas empilhadeiras, Cláudia e os outros 68 catadores da Recicle a Vida estão ansiosos com as novas entregas. Estão previstas a entrega de um caminhão, 10 caçambas, 60 carrinhos porta-bags, uma balança rodoviária, além de outros equipamentos, como computadores e impressoras.  A expectativa da Recicle a Vida é que, com o maquinário completo, a capacidade de reciclagem supere a marca de 300 toneladas por mês e que o trabalho braçal diminua ainda mais.

Outro que já colhe os frutos do programa é William Sousa Santos, presidente da Recicla Mais Brasil, do Paranoá, que acompanhou a visita em Ceilândia, na tarde de hoje. A cooperativa que ele representa já recebeu uma empilhadeira, uma prensa e um trator. “O nosso processo foi otimizado e as máquinas melhoraram muito o nosso trabalho. Estamos bem felizes, porque só nessa primeira entrega a vida dos nossos catadores já mudou”, disse, completando que com a chegada de um caminhão e duas caçambas, como parte dos benefícios, a capacidade de produção vai atingir 100 toneladas por mês.

Coopera+

Lançado pela ABDI em maio deste ano no DF, o programa vai investir R$ 16,9 milhões na industrialização da cadeia da reciclagem da região, com foco nas cooperativas de catadores.

Foram firmados convênios com três redes de cooperativas de catadores do DF, beneficiando em torno de 30 cooperativas e 1,1 mil catadores.

A meta é ampliar em até 30% a produtividade da coleta seletiva, triagem e tratamento de resíduos recicláveis, além de aumentar em 20% a renda dos catadores, reforçando o papel essencial dessas cooperativas na economia circular.

Entre os equipamentos que serão entregues com os recursos do programa Coopera+ estão:

  • 23 caminhões
  • 2 equipamentos compactadores
  • 12 contêineres
  • 1 equipamento de roll-on/roll-off
  • 2 prensas
  • 4 esteiras
  • 4 plataformas
  • 2 mini pás carregadeiras
  • 3 empilhadeiras
  • 60 carrinhos porta big bag
  • Sistemas de pesagem
  • Consultorias em processos produtivos, logística e economia circular

As entregas beneficiarão diretamente cerca de 30 cooperativas do DF, que integram três grandes redes: CENTCOOP, Rede Alternativa e a CCO, somando cerca de 1,1 mil catadores. Com isso, estima-se um aumento de 15% a 30% na produtividade da coleta seletiva, triagem e tratamento de resíduos recicláveis, 10% a 30% a mais no número de trabalhadores, e um crescimento de até 20% na renda dos catadores.

Hoje, a CCO comercializa cerca de 700 toneladas de materiais recicláveis por mês. Já as sete cooperativas da Rede Alternativa geram mensalmente 180 toneladas. A Centcoop, segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), responde por 25,25% das compras de materiais recicláveis no DF – aproximadamente 867 toneladas mensais.

O Coopera+ foi concebido como modelo de política pública replicável nacionalmente. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos, ao Plano Nacional de Inclusão Produtiva e à Estratégia Nacional de Economia Circular, convergindo com os objetivos da Nova Indústria Brasil, que busca um setor produtivo mais verde, justo e inovador. O programa também atua potencializando o cooperativismo voltado a cadeias industriais da agricultura familiar.


Foto: Matheus Leocádio