Radar Legislativo da Indústria – 07 a 11/07

Radar Legislativo da Indústria – 07 a 11/07

Conheça as discussões desta semana que tratam de desenvolvimento, tecnologia, inovação e sustentabilidade, entre outros temas relacionados à atuação da ABDI

PANORAMA DA SEMANA

O Congresso Nacional receberá, nesta semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de cinco ministros do governo Lula. Galípolo participará de uma sessão da Comissão de Finanças e Tributação na Câmara, na quarta-feira (9), onde discutirá a atuação da instituição financeira. Das audiências com ministros, destacam-se as de Simone Tebet, comandante da pasta do Planejamento, e de Alexandre Silveira, ministro das Minas e Energia, na Comissão de Minas e Energia da Câmara na manhã de quarta-feira.


Inserção de sistemas de armazenamento na matriz elétrica

Representantes de diversas áreas do setor elétrico defenderam a inclusão de sistemas de armazenamento de energia no Brasil. Essas tecnologias conseguem guardar grandes volumes de eletricidade para uso posterior, garantindo o abastecimento ao liberar a energia armazenada diretamente na rede de transmissão. As baterias estacionárias de grande porte (BESS), em inglês, são a tecnologia mais conhecida nesse campo.

Com exceção de aplicações em sistemas remotos, ainda há pouca difusão de baterias para uso junto às unidades consumidoras. Confira as apresentações dos expositores na audiência pública.

O assunto foi debatido na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, a pedido do deputado Diego Andrade (PSD-MG), que preside o colegiado. Conforme Bernard Küsel, representante do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o tema ganhou relevância devido ao aumento da geração eólica e solar, que tem superado o crescimento do consumo no país. Para ele, as baterias seriam uma solução para armazenar o excesso de produção e evitar eventuais cortes na geração (curtailment, no jargão do setor).

Christiany Salgado Faria, do Ministério de Minas e Energia (MME), reconheceu o desafio. “É importante a gente ter a matriz diversa. Mas isso impõe necessidades. A gente precisa discutir o armazenamento para trazer essas necessidades de potência e de flexibilidade operativa”, disse. O governo anunciou para este ano um leilão para contratação de potência elétrica de sistemas de armazenamento, mas a data ainda não foi definida pelo MME. Saiba mais


Projeto de Benefício Fiscal para Exportações de Pequenos Negócios Vai à Sanção

O Plenário do Senado aprovou o projeto de lei complementar do Poder Executivo (PLP 167/2024). Ele visa incentivar a venda de mercadorias de micro e pequenas empresas no mercado internacional por meio da devolução de tributos pagos ao longo da cadeia produtiva entre 2025 e 2026. Segundo o relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), o Brasil precisa exportar produtos, e não impostos. Ele explicou que se trata de um resíduo tributário que as empresas enquadradas no Simples Nacional não conseguem reaver.

O Programa Acredita Exportação também modifica o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras. Com a mudança, a devolução dos tributos não será limitada a 3%, mas sim baseada no porte da empresa. A proposta inclui ainda serviços, como transporte, armazenagem e despacho aduaneiro em regimes aduaneiros especiais. Estes regimes garantem a isenção de tributos para empresas brasileiras que importarem ou comprarem insumos no mercado interno para a produção de bens a serem exportados. O projeto segue agora para a sanção presidencial. Saiba mais

Presidente da ABDI participa de debate sobre elevadas taxas de juros


O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, questionou em um debate na Câmara dos Deputados: “Como é que você faz indústria quando a taxa de retorno da especulação rentista é muito superior à taxa de retorno do investimento no capital produtivo? Como é que você faz indústria desse jeito?”. Ele apontou que, “a indústria, mesmo assim, está crescendo no Brasil”, provocando reflexões sobre o potencial de avanço do setor em um cenário de crédito mais adequado. Cappelli participou da Audiência Pública “Elevadas taxas de juros no Brasil” na Câmara dos Deputados, na quarta-feira, 2 de julho.

Além de questionar as elevadas taxas de juros, Cappelli afirmou que a necessidade ou não de Política Industrial no Brasil é um debate inacabado: “Ninguém debate mais o conjunto de políticas que fazem o agro brasileiro ser a potência que é. Mas quando a gente vai debater a indústria e a Política Industrial, ela ainda, depois de décadas de debates, a Política Industrial fica ao sabor do governo de plantão.” Assista a participação do Presidente da ABDI na audiência pública do CEDES sobre Elevadas Taxas de juros no Brasil, em 02/07/2025.

Ao aumentar sua produção em 3,8% no ano passado, a indústria de transformação não apenas compensou com folga a queda na produção agropecuária no período (-3,2%), como também criou oportunidades de emprego e renda para um número elevado de brasileiros.

O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, ressaltou, no encontro promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (CEDES), ações estratégicas do Governo Federal para desenvolver o setor produtivo. Como exemplo, citou a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que desembolsou, em 2024, cerca de R$ 200 bilhões em financiamentos — um montante que deverá alcançar, até 2026, R$ 500 bilhões.

Cappelli também afirmou que, apesar das taxas de juros, a taxa de investimento no primeiro trimestre cresceu 9% em relação a 2024. Segundo ele, isso ocorre devido aos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao uso de recursos próprios das empresas; contudo, ressaltou que esse não é um cenário ideal.

A aprovação, no Congresso Nacional, da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), destinada a fomentar a indústria, e a depreciação acelerada — mecanismo que permite que indústrias descontem mais rapidamente impostos de gastos realizados com a aquisição de novos bens de capital — foram algumas das articulações do governo em favor da indústria, lembradas por Cappelli.

“A indústria voltou a crescer, a indústria voltou a se desenvolver, apesar de uma âncora monetária inaceitável”, observou, questionando o atual patamar dos juros em um cenário de inflação controlada. “Agora, o que fica claro para todos nós, é que esse crescimento do Brasil poderia ser muito mais vigoroso. Poderia ser muito mais forte, se não fosse essa conta incrível”. Presidida pelo presidente do CEDES, deputado Márcio Jerry, a audiência na Câmara também contou com as participações do gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabio Bandeira Guerra; do professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel Conceição (online); do coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Renato Conchon; e dos consultores legislativos Pedro Garrido e Aurélio Palos. Saiba mais


Especialistas discutem desafios legislativos para a exploração mineral

Em audiência pública, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) discutiu com especialistas os principais desafios legislativos e regulatórios do Brasil na exploração de minerais críticos e estratégicos. Estes são essenciais para a produção de cabos de fibra, equipamentos médicos, equipamentos de defesa, usinas nucleares, smartphones e tecnologias necessárias à transição energética.

Alguns dos pontos debatidos incluíram as regras de licenciamento ambiental e a criação de um cenário propício ao investimento, além de aspectos normativos como: um marco legal que defina critérios objetivos para classificar minerais como “críticos”; normas para rastreabilidade e ESG nas cadeias minerais; e uma política integrada de industrialização.

A representante do Núcleo de Estudos Avançados em Transição Energética da FGV, Isabel Veloso, discorreu sobre os aspectos fundamentais para a transição energética:

Acesse as apresentações dos convidados à audiência pública aqui.


Eólicas offshore: Contratação obrigatória de PCHs é promulgada

Trechos da lei das eólicas offshore, que teve veto derrubado pelo Congresso em junho, foram publicados no DOU desta segunda-feira(7). Foi promulgada a obrigação do Governo Federal contratar, a partir deste ano, PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e usinas movidas a hidrogênio líquido. Além disso, a prorrogação de contratos de centrais a biomassa e centrais eólicas foi autorizada.

A medida havia sido vetada pelo Poder Executivo. No entanto, o Congresso decidiu restaurar os dispositivos, alegando que são fundamentais para estimular o desenvolvimento regional e acelerar a transição energética.

Como fica: De acordo com o texto agora em vigor, o governo deverá contratar 3.000 MW de PCHs, com potência de até 50 MW. Na Região Centro-Oeste, a obrigatoriedade é de 2.000 MW até o segundo semestre de 2024 (com entrega até 31 de dezembro de 2029), e mais 1.000 MW até o primeiro trimestre de 2025 (entrega até 13 de dezembro de 2030). Nas Regiões Sul e Sudeste, são 1.000 MW até o segundo semestre de 2024 (entrega até 2029), e 500 MW até o primeiro trimestre de 2025 (entrega até 2030). Nas Regiões Norte e Nordeste, será obrigatória a contratação de 400 MW até o segundo semestre de 2024 (entrega até o final de 2029).


Regulação local de IA em declaração do Brics

Em declaração conjunta, o grupo de nações do Brics defendeu o direito de cada nação estabelecer seus próprios marcos regulatórios, além de cobrar mecanismos de proteção a direitos autorais diante do uso de obras por sistemas de IA generativa.

Leia a íntegra do documento

“Apoiamos firmemente o direito de todos os países de usufruir dos benefícios da economia digital e das tecnologias emergentes, particularmente a Inteligência Artificial, mantendo a defesa dos direitos fundamentais, para estabelecer suas próprias estruturas regulatórias em suas jurisdições”, diz a declaração.

O tema da regulação da IA tem provocado embates internacionais. O governo de Donald Trump (republicano) apoia as big techs norte-americanas e tem ameaçado com retaliações os países que adotarem legislações locais sobre o setor digital, incluindo normas que preveem taxação ou exigem transparência de algoritmos.

A declaração também menciona a importância de garantir uma “concorrência justa” e evitar a concentração de mercado por poucas empresas. Além disso, enfatiza que a governança da IA deve ser liderada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e contar com a participação efetiva de países do Sul Global.


Seminário debate política de estímulo para minerais críticos e estratégicos

A Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde e a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados promoverão, nesta quarta-feira (9), um seminário para discutir a criação de política para fomentar a pesquisa, lavra e transformação de minerais críticos e estratégicos de maneira sustentável.

Essa medida está prevista no Projeto de Lei 2780/24, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O objetivo é fortalecer a participação brasileira no mercado de minerais relacionados à transição energética, como o lítio (utilizado em baterias), e à produção de fertilizantes, como o potássio.


Comissão promove novo debate sobre projeto que regulamenta uso da inteligência artificial no Brasil

A Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados realizará uma audiência pública nesta terça-feira (8) para debater a proteção de direitos fundamentais e as novas tecnologias. O colegiado foi criado para discutir o Projeto de Lei 2338/23, já aprovado pelo Senado e que regulamenta o uso da IA no Brasil. Confira os participantes e acompanha o debate aqui

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Radar Legislativo da indústria é uma publicação da Assessoria Legislativa da ABDI. Visa divulgar a tramitação e a discussão de proposições e leis de interesse da agência, além de questões relativas à política de desenvolvimento industrial. Sugestões, artigos técnicos e críticas podem ser enviados para o e-mail: [email protected]