Ciência, tecnologia e soberania marcam abertura do Festival Curicaca em Planaltina

Ciência, tecnologia e soberania marcam abertura do Festival Curicaca em Planaltina

Evento da UnB reúne especialistas e comunidade para debater inovação, sustentabilidade e o futuro da agricultura brasileira

O Festival Curicaca movimenta nesta sexta-feira (29) o campus da Universidade de Brasília (UnB) em Planaltina, reunindo especialistas, estudantes e a comunidade para debater os desafios da agricultura brasileira diante das mudanças climáticas, da transformação digital e da busca por práticas sustentáveis.

A palestra de abertura, realizada na quinta-feira (28), contou com a participação de Walter Quadros, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos autores do livro Agricultura de Precisão: Um novo olhar na era digital, e de Mário Ávila, professor da UnB e diretor do Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (Cegafi). A mediação foi conduzida por Antônio de Almeida, professor da UnB Planaltina na área de Ciências Sociais Aplicadas e Tecnologia.

O papel da ciência diante da escassez hídrica

Pesquisador da Embrapa há mais de 20 anos, Walter Quadros destacou os avanços da ciência na busca por cultivares mais tolerantes à seca, um dos principais desafios do Cerrado. Ele apresentou pesquisas com plataformas de irrigação controlada, sensores termais e multiespectrais, além do uso de drones para avaliar a resposta fisiológica das plantas.

Segundo Quadros, a escassez hídrica impõe uma urgência inédita:

“Água é mais valiosa que o petróleo e que o ouro. O futuro da agricultura depende de tecnologias que permitam produzir com menos consumo hídrico e com maior sustentabilidade”, afirmou.

O pesquisador também ressaltou a necessidade de formar profissionais especializados em tecnologias digitais aplicadas ao campo, apontando a carência de mão de obra qualificada no Brasil.

Inovação social e soberania dos dados

O professor Mário Ávila trouxe uma visão voltada à agricultura familiar, às políticas públicas e à inovação social. Ele defendeu que o uso de tecnologias no campo deve sempre considerar sustentabilidade ambiental, impacto social e respeito às comunidades locais.

Ávila apresentou experiências do Cegafi com monitoramento ambiental via drones e microssatélites, projetos de compensação de carbono e ações de restauração florestal. Em sua fala, destacou a importância da soberania dos dados no contexto da agricultura digital:

“Quem detém os dados controla os rumos da agricultura. Não podemos repetir a história de entregar nosso território e nossos recursos a interesses externos”, afirmou.

O professor reforçou ainda a importância da formação de jovens capazes de operar novas tecnologias e refletir criticamente sobre seus impactos, destacando esse processo como parte essencial da soberania nacional.