O programa Coopera+, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), está transformando a coleta seletiva no Distrito Federal ao aliar inclusão produtiva, inovação e economia circular, pilares da Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB). Com investimento de R$ 16,9 milhões, a iniciativa moderniza cooperativas de reciclagem, amplia a produtividade e eleva a renda dos catadores.
Até agora, já foram entregues 13 caminhões e mais de 100 equipamentos a três redes — a Central de Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop), a Central Centro-Oeste (CCO) e a Rede Alternativa. Juntas, elas reúnem mais de 30 cooperativas e beneficiam cerca de 1,1 mil trabalhadores.
A meta é aumentar em até 30% a produtividade da coleta seletiva e elevar em 20% a renda da categoria. Para 2026, estão previstos mais dez caminhões e a continuidade das consultorias técnicas.
O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, destaca que o Coopera+ é um passo estratégico para integrar inclusão social e desenvolvimento industrial. “Com equipamentos que ampliam a produtividade e agregam valor ao material reciclado, os catadores poderão produzir mais, com dignidade e maior competitividade”, afirmou.
Na mesma linha, o gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Rogério Araújo, destaca o potencial transformador do Coopera+ para o fortalecimento do cooperativismo produtivo.
“O sucesso do Coopera+ fortalecerá o modelo cooperativista por meio da industrialização e do aumento do valor agregado dos produtos. O objetivo é potencializar a renda dos cooperados, transformando a realidade produtiva nos setores de agricultura familiar e na gestão de resíduos, conectados aos objetivos da política industrial brasileira, a Nova Indústria Brasil, e à Estratégia Nacional de Economia”, pontuou.

Impacto direto na rotina das cooperativas
Para quem atua no dia a dia da coleta seletiva, os resultados já são concretos. A presidente da Centcoop, Lúcia Fernandes, afirma que a principal mudança veio com a chegada dos caminhões. “Mudou a vida das cooperativas. Muitas não tinham veículo próprio para transportar o material até os centros de comercialização.”
Segundo ela, o impacto na renda é estrutural. Com o fim do pagamento de fretes terceirizados, os recursos permanecem na cooperativa e retornam diretamente ao catador.
A rede Centcoop registrou avanço expressivo em sua capacidade operacional. O volume de materiais encaminhados saltou de 1.691 toneladas, entre outubro e dezembro de 2024, para 2.849 toneladas no mesmo período de 2025 — crescimento de 68,5%, evidenciando ganho sistêmico de produtividade e eficiência logística.
Catador desde 2001, Thiago Mendes, da Cooperativa de Trabalho de Catadores da Cidade Estrutural (COORPECAP), vinculada a CENTCOOP, resume a mudança em uma palavra: independência. Para ele, os equipamentos representam autonomia produtiva. “A ABDI está nos proporcionando caminhar com as nossas próprias pernas”, destacou.
Na Rede Alternativa, a mecanização transformou as condições de trabalho. Cooperativas que realizavam triagem no chão passaram a operar com esteiras elevadas, balanças, empilhadeiras e prensas de alta capacidade, permitindo a produção de fardos padronizados e a venda direta para a indústria por melhores preços.
“Hoje podemos fazer fardo de mais de mil quilos de papelão e plástico, vender para uma indústria que paga muito melhor, porque você tem um material de melhor qualidade e padronizado”, destacou o presidente da rede, Cleusimar Andrade.
Mais renda e melhores condições de trabalho
Na R3 Cooperativa, vinculada à Rede Alternativa, a presidente Vilany Freitas afirma que os novos equipamentos ampliaram a geração de oportunidades.
“Valorizou nosso material, aumentou o número de cooperados e elevou a renda, que passou de um salário mínimo.”
A melhoria também é sentida por quem está na linha de produção. O catador Luís André Pinheiro Neto lembra que, no início, o trabalho era totalmente manual.
“Minha renda melhorou bastante depois da entrada das máquinas, a gente não fica mais cansado.” Além do aumento na produtividade, ele destaca a melhoria nas condições físicas do trabalho e na estrutura do galpão, que trouxe mais proteção e organização.
O presidente da Recicla Mais Brasil, Willian Sousa Santos, afirma que o projeto foi decisivo para a continuidade da cooperativa. “Transformou a vida de quem trabalha aqui e, também, da comunidade”, disse.
Willian destaca que a modernização proporcionou ganhos históricos na geração de renda. “Hoje já temos salário digno. Uma catadora chegou a receber R$ 3.300.” Para ele, a mecanização reduziu o esforço físico, aumentou a produtividade e trouxe mais eficiência ao processo.
A cooperativa integra a rede CCO, que, em números parciais referentes ao período de novembro de 2025 a fevereiro de 2026, já ampliou em 16 os postos de trabalho — um crescimento de 21% no total das cooperativas beneficiadas.
Novos modelos de negócios e serviços ambientais
O Coopera+ vai além da entrega de equipamentos: promove capacitação, qualificação da gestão e a abertura de novas frentes de atuação econômica.
“Na rede CCO, a capacidade de atendimento a serviços ambientais, como gestão de resíduos para grandes geradores, eventos e centros comerciais, cresceu 60%, consolidando um novo modelo de negócio baseado na agregação de valor aos materiais recicláveis”, afirmou o gerente da ABDI, Rogério Araújo.
A catadora Ana Freires relata o impacto direto na produção e na renda:
“Aumentou a produção e melhorou muito nossa renda. Com caminhão e equipamentos, não perdemos mais material.”
Transformação estrutural
Ao integrar tecnologia, mecanização, gestão produtiva e valorização social, o Coopera+ materializa os objetivos da Nova Indústria Brasil ao posicionar a reciclagem como um elo estratégico do desenvolvimento industrial sustentável. Mais do que modernizar galpões, o programa estrutura processos, eleva o padrão operacional das cooperativas, amplia a geração de renda e consolida um modelo de inclusão produtiva baseado em eficiência, escala e agregação de valor.
Com vocação para se tornar referência nacional, a iniciativa promove a modernização das estruturas de trabalho e a qualificação da produção. No Distrito Federal, são fornecidos caminhões, empilhadeiras, esteiras e equipamentos que mecanizam todas as etapas da triagem, além de capacitação técnica voltada à gestão e à produtividade. Na região Norte, o Coopera+ impulsiona cadeias agroindustriais sustentáveis — como as do açaí, em Feijó (AC), e do café, nas regiões do Vale do Juruá e do Baixo Acre (AC) — ampliando competitividade, organização produtiva e acesso a mercado.
Fotos: Hélio Montferre/ABDI