Eficiência energética é tema de workshop internacional sobre inovação no setor de HVAC-R

Eficiência energética é tema de workshop internacional sobre inovação no setor de HVAC-R

Encontro destaca cooperação internacional, descarbonização e tecnologia como vetores de competitividade e à reindustrialização sustentável

Nos dias 26 e 27 de fevereiro, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a CLASP, em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), promoveram um workshop internacional sobre eficiência energética e compressores para sistemas de ar-condicionado. Alinhada à missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), o encontro integra a agenda estratégica das instituições com o objetivo de ampliar a competitividade do setor HVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração) no Brasil.

Conduzido pela professora Huiming Zou, da Academia Chinesa de Ciências (CAS), diretora do Centro de Pesquisa em Processos Térmicos e Tecnologias de Conservação de Energia do Instituto Técnico de Física e Química, o workshop abordou os principais a cadeia de suprimentos de materiais e componentes críticos, tipos de compressores — rotativos, scroll, centrífugos e de parafuso — além de normas e regulamentações técnicas, destacando o papel estratégico da sustentabilidade para o futuro do setor.

Os novos refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP), as normas de proteção ambiental, descarbonização na manufatura e a transição energética estiveram no centro das discussões, reforçando a inovação como vetor essencial de competitividade e sustentabilidade. Em análise sobre as perspectivas globais, Huiming destacou: “A transição energética e a descarbonização são pontos cruciais para a tecnologia de compressores, e o compressor é o ‘coração’ do sistema de ar-condicionado”.

Ao longo dos dois dias, empresas, associações, representantes do governo, universidades e instituições de pesquisa e desenvolvimento (P&D) participaram do workshop, evidenciando a importância da integração entre os diversos atores para fortalecer a cadeia produtiva e o adensamento tecnológico de compressores no Brasil.

Para a analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Marcia Oleskovicz, o workshop reforça a relevância da articulação internacional para o avanço tecnológico do setor. “O intercâmbio com a experiência chinesa nos permite acelerar aprendizados e qualificar nossas políticas públicas. Mas, acima de tudo, estamos construindo uma agenda própria, baseada em dados, inovação e fortalecimento da produção nacional”, afirma.

Regulação e mercado

A oficina detalhou as normas técnicas que abrangem desde requisitos de segurança elétrica e mecânica até classes de eficiência energética, destacando a importância do alinhamento internacional desses parâmetros como estratégia competitiva no comércio global. A discussão comparou, por exemplo, referenciais como a IEC (International Electrotechnical Commission), a ISO (International Organization for Standardization), a ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers) e a norma europeia EN 12900.

O encontro também analisou a estrutura internacional de fornecimento e as lacunas na nacionalização de componentes como válvulas (reed valves), aço de precisão para rolamentos, óleos sintéticos para refrigeração, materiais de vedação, refrigerantes, peneiras moleculares, módulos de potência e sensores. Segundo o diagnóstico apresentado, foram identificadas deficiências na nacionalização de equipamentos de produção e de testes, enquanto produtos de alta performance são fornecidos majoritariamente por países como Japão, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

Cooperação tecnológica Brasil-China

Durante o encontro, foram destacadas oportunidades de cooperação internacional no segmento de compressores. Diante do avanço das mudanças climáticas e do aumento da demanda por equipamentos elétricos, a China é atualmente o maior produtor mundial de ar-condicionado. Em 2025, o Brasil registrou crescimento de 29% no setor, consolidando-se como o segundo maior produtor global.

Entre as principais frentes de oportunidade estão:

  • Tecnologias de alta eficiência energética
  • Adaptação de refrigerantes ecologicamente corretos
  • Integração de controle inteligente
  • Ampliação da fabricação local

A estimativa é que, até 2030, a escala de cooperação industrial Brasil-China, em diversos setores, ultrapasse US$10 bilhões, possibilite a redução anual superior a 12 milhões de toneladas de CO₂ e gere cerca de 200 mil postos de trabalho.

Parceria estratégica

A iniciativa integra um projeto nacional desenvolvido pela ABDI em parceria com o MME e a CLASP, organização internacional de referência em eficiência energética, no âmbito de uma agenda estratégica que busca utilizar a eficiência energética como instrumento de política industrial, conectando regulação, inovação e competitividade.

Com foco inicial no setor HVAC-R e atenção especial aos compressores, o convênio entre as entidades visa promover a eficiência energética no setor produtivo brasileiro, com foco na reindustrialização, na competitividade industrial, na inovação tecnológica e na transição energética justa e sustentável.