Ao completar dois anos, celebrado em janeiro, a Nova Indústria Brasil (NIB) segue se consolidando como pilar da estratégia econômica do Governo Federal para a reindustrialização do país. Ciente da importância da nova política industrial, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) reorganizou suas ações para atuar como importante braço de apoio à NIB na transformação de diretrizes estratégicas em programas, projetos, plataformas e ações concretas. Entre as frentes de apoio da Agência está o programa Brasil Mais Produtivo.
Lançado pelo Governo Federal em novembro de 2023, o Brasil Mais Produtivo é o maior e mais abrangente programa de apoio à produtividade e à transformação digital do país. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e executado pelo Sebrae e Senai, a iniciativa conta com o apoio, além da ABDI, da Finep, da Embrapii e do BNDES em ações que ajudam micro, pequenas e médias empresas a modernizarem seus processos.
Entre as modernizações almejadas estão a transformação digital dos negócios e o uso, por eles, de tecnologias nacionais inovadoras. As metas convergem com a Missão 4 da NIB, que estabelece transformar digitalmente 25% das empresas industriais brasileiras até 2026 e 50%, até 2033.
As mudanças estruturais que utilizam tecnologias digitais para melhorar o desempenho de indústrias são realizadas pelo programa por meio de um diagnóstico de referência internacional, o Smart Industry Readiness Index (SIRI). A partir dele, o Brasil Mais Produtivo desenvolve projetos de investimento que auxiliam empresas a captarem financiamento junto ao BNDES e à FINEP e acompanha a implementação das iniciativas.
Com o apoio financeiro da ABDI, que este ano atinge cerca de R$ 30 milhões , o programa fomenta a transformação digital em pilotos do projeto Smart Factory, ação que oferece suporte financeiro e técnico para a adoção de soluções da indústria 4.0. Outra parte significativa do recurso é dedicada a consultorias para médias empresas industriais em, além de transformação digital, manufatura enxuta e eficiência energética.
“Esse é um recurso que não está sendo gasto, mas sim investido no desenvolvimento do Brasil para trazer mais produtividade e competividade as nossas empresas”, disse o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, na cerimônia que formalizou o primeiro repasse da Agência, em 2024.
Os recursos da ABDI auxiliam médias indústrias a acessarem consultorias especializadas e formação profissional em manufatura enxuta e eficiência energética, dedicadas à otimização de processos e à redução de desperdícios. O foco é aumento de eficiência e de competitividade no mercado.
“Nós queremos que as empresas cresçam, prosperem, gerem mais empregos, sejam bem-sucedidas. Para isso, precisa ter produtividade e competitividade. É exatamente o que faz o Brasil Mais Produtivo”, disse o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, por ocasião da celebração dos dois anos do programa.
Menor custo e maior eficiência
Entre os mais de 67.500 negócios atendidos pelo Brasil Mais Produtivo ao fim de 2025, está a Gyn Foods Indústria e Comércio, fabricante goiana de sucos, concentrados e matérias-primas para indústrias de sorvetes, cervejas e energéticos.
Situada em Aragoiânia, a empresa passou a produzir mais rápido, com menor custo e maior eficiência depois de aderir ao programa e receber, do Sebrae e do Senai, um diagnóstico completo e detalhado de seu processo industrial.
Um dos principais entraves para o crescimento da indústria goiana era a falta de estrutura técnica qualificada, de mão de obra especializada, o que não dava, a ela, clareza sobre a real capacidade de sua planta.
A consultoria oferecida à empresa revelou, então, gargalos de layout, falhas de distribuição das etapas e ausência de padronização, fatores que a impediam de operar em seu pleno potencial.
Com as correções efetuadas, o negócio registrou um aumento de 56% em sua produtividade.
Segundo o representante comercial da Gyn Foods, Wallace Costa Silva, a fábrica passou a produzir mais, com menor custo e maior eficiência. “Antes do programa, nós tínhamos uma capacidade diária de produção de 3 mil litros. Hoje, nós temos uma capacidade de 700 mil litros mês”, atesta. “A partir do programa Brasil Mais Produtivo nós vimos o quanto nós somos capazes e até onde nós podemos chegar.”
Mapeamento e reorganização
A empresa do ramo de cozinha industrial Alecrim & Oliva Gastronomia Funcional, de Campos Novos (SC), foi igualmente beneficiada pelo programa ao receber apoio técnico necessário para organizar seus processos internos, reduzir custos e ampliar a capacidade de produção.
O negócio enfrentava desafios para detalhar procedimentos, estruturar fluxos de produção e otimizar operações que envolvem, entre outras ações, higienização, ultracongelamento, empacotamento a vácuo e estocagem em câmara fria.
Os técnicos do Brasil Mais Produtivo, realizaram, então, um trabalho completo de mapeamento e reorganização dos processos da empresa. Os resultados foram além do esperado: a produtividade do negócio não apenas cresceu 100%, ele seguiu evoluindo nos meses seguintes.
“O Brasil mais produtivo foi muito importante para nós, porque melhoramos significativamente nossos processos, reduzimos significativamente nossos custos e alavancamos também as nossas vendas através de tudo isso”, explica a CEO Alecrim & Oliva, Symone Tessaro.
“Hoje, nós temos muito detalhado tudo o que a gente faz. E a produtividade aumentou demais. Nós tivemos, dentro do programa, um aumento de 100% e depois do programa nós conseguimos aumentar muito mais ainda”, comemora. “Então, foi um marco muito importante para a Alecrim Oliva.”
Produtividade: aumento médio de 28%
Do total de 67,5 mil empresas alcançadas nos dois primeiros anos do Brasil Mais Produtivo, 30,5 mil foram do setor industrial e 37 mil, de comércio e serviços. Foram mais de 90 mil atendimentos realizados, uma vez que as empresas podem participar de mais de uma modalidade do programa.
Segundo dados do Senai, as empresas atendidas em manufatura enxuta – sistema de gestão industrial que visa aumento de eficiência e de produtividade por meio da redução de erros, redundâncias e desperdícios na produção – registraram aumento médio de 28% na produtividade após o trabalho de consultoria.
Sobre a Nova Indústria Brasil
Estruturada em seis missões, a NIB se organiza em torno de prioridades nacionais, como cadeias agroindustriais sustentáveis; Complexo Econômico-Industrial da Saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis; transformação digital da indústria; bioeconomia e transição ecológica; e desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a defesa e a soberania nacional.
Com horizonte até 2033, a política industrial prevê a mobilização de R$ 3,4 trilhões em investimentos públicos e privados. Os recursos do Plano Mais Produção, principal instrumento de financiamento da NIB, saltaram para R$ 643,3 bilhões no último ano. Desse total, foram destinados R$ 588,4 bilhões, entre 2023 e 2025, para 406 mil projetos em todas as regiões, alinhados às seis missões.
Os investimentos têm fortalecido fábricas, modernizado máquinas, estimulado a adoção de novas tecnologias e apoiado empresas de todos os portes a produzir mais, com eficiência e sustentabilidade.