A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realiza, na próxima semana, testes operacionais no Complexo Industrial do Café do Juruá, em Mâncio Lima. Previstos para os dias 28 e 29 de abril, os procedimentos serão coordenados por especialistas da fabricante das máquinas. A iniciativa integra o Projeto Café Amazônia Sustentável, da ABDI, que tem como objetivo implantar um modelo cooperativista sustentável de beneficiamento de café no extremo ocidente do Brasil.
Segundo o analista de Produtividade e Inovação da ABDI e líder do projeto Eduardo Tosta, serão realizados testes com grande volume de café para avaliar o funcionamento operacional das máquinas como, por exemplo, secadores, descascadores, peneiras, elevadores, dentre outros.
A testagem coincide com a colheita da primeira safra de café do ano. “O complexo está estruturado, mas para calibrar e regular as máquinas precisamos de café em volume. Essa será a primeira vez que teremos em grande volume para passar em todos os equipamentos, fazer todo o processo de beneficiamento e rebeneficiamento do café”, explicou Tosta.
A testagem do maquinário antecede a inauguração do complexo que está prevista para a segunda quinzena de maio.

O produtor José Audevir fala da expectativa de utilizar as instalações do complexo. Este ano ele fará sua primeira colheita e utilizará as instalações da fábrica para beneficiar seu café.
“A gente não ia ter onde secar, nem onde processar o nosso café para chegar nas exportações. Nem tínhamos essa expectativa. Provavelmente a gente ia secar numa lona no meio do terreiro”, disse. E acrescentou: “O complexo trará uma mudança muito grande para nós, pequenos produtores”.
Café Amazônia Sustentável
O projeto Café Amazônia Sustentável é uma iniciativa da ABDI, em parceria com a Cooperativa de Produtores de Café dos municípios do Vale do Juruá (Coopercafé). O objetivo é implementar um modelo cooperativista socioeconômicamente sustentável de beneficiamento de café, proveniente de culturas familiares da região do Vale do Juruá, no Acre – o Complexo Industrial do Café.
Orçado em mais de R$ 8 milhões e com contrapartida da Coopercafé no valor de R$1,8 milhão, estima-se que o projeto alcance, até o final de 2025, mais de 150 famílias e 1.500 pessoas.
Atualmente existem 1,5 milhões de pés de cafés plantados na região pelos produtores cooperados, sendo que mais da metade dessas plantações são de pequenos e médios produtores. A previsão é de que, na safra de 2025, serão produzidas 20 mil sacas de café oriundas do projeto. Um faturamento estimado em R$ 4 milhões.
Entre os principais benefícios estão o aumento da produtividade e da qualidade do café, aumento de renda direta e indireta dos agricultores familiares da região, incremento de toda cadeia produtiva do café, aumento do número de produtores de café e de áreas cultivadas, redução de gargalos produtivos da cadeia, transformação regional, melhoria da qualidade de vida dos agricultores e da região de forma geral.