Em prol de fortalecer a indústria criativa do Rio Grande do Sul, impactada pelos desastres climáticos que atingiram o estado em 2024, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria do Hip Hop do estado, lançaram o programa Decola Hip Hop RS, nesta quinta-feira (27), no Museu da Cultura Hip Hop, em Porto Alegre. A iniciativa destinará R$ 2,4 milhões para fortalecer coletivos e projetos da cultura do segmento musical no estado, consolidando o movimento como um motor de transformação social e econômica.
“A economia criativa tem ganhado cada vez mais relevância no Brasil, impulsionada por diretrizes governamentais e iniciativas que promovem inovação, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Mais do que uma expressão artística, a produção cultural gera empregos, movimenta a economia e fortalece comunidades. Além de incentivar a produção cultural, essa inciativa busca estimular um setor que gera empregos e novas oportunidades de negócio”, destaca Ricardo Cappelli, presidente da ABDI.
O programa visa estimular a inovação e sustentabilidade em áreas como música, moda, audiovisual, dança e artes visuais, fortalecendo marcas independentes e coletivos culturais do RS. A execução financeira do projeto foi viabilizada por meio de Convênio de Cooperação Técnica e Financeira, por meio do qual a ABDI repassará R$ 2,25 milhões, com contrapartida de R$ 249 mil da Sociedade União Vila dos Eucaliptos (SUVE). O investimento no setor será direcionado para capacitação de profissionais, compra de equipamentos, realização de eventos e fomento à produção cultural.
“Nosso objetivo é fortalecer coletivos e projetos em regiões estratégicas que possam desenvolver ações focadas nas comunidades sem acesso aos equipamentos culturais e às periferias gaúchas. Nosso programa pretende, nesta etapa, desenvolver a indústria do hip hop através de 100 coletivos cadastrados, impulsionando suas produções profissionais da arte no mercado nacional”, afirma Negra Jaque, secretária de Hip Hop do Rio Grande do Sul. Ela ainda destaca que os gaúchos são vanguarda em leis e projetos com referência mundial promovendo feito inédito de fortalecimento das redes.
Além de Cappelli e da secretária, estiveram presentes no lançamento desta quinta-feira os representantes da ONG SUVE Nara Marques e Ilson Renato; a coordenadora administrativa da Associação da Cultura Hip Hop de Esteio, Aretha Ramos; o fundador do Museu da Cultura Hip Hop RS, Rafa Rafuagi; e o secretário da Casa de Governo, Maneco Hassen.
Vitrine de talentos
O programa Decola destinará R$ 2,4 milhões para desenvolver a indústria do Hip Hop em apoio a cerca de 500 beneficiários, com objetivo de impulsionar produções no mercado da economia criativa nacional.
Além dos projetos selecionados, o programa realizará cinco edições da Mostra Decola Hip Hop RS com a Feira de Cultura Hip Hop RS, a inauguração do Estúdio de Podcast Decola Hip Hop RS, além de uma pesquisa que mapeará o movimento Hip Hop gaúcho com o objetivo de apresentar uma vitrine de talentos de cada região.
De acordo com dados do Observatório Itaú Cultural, em 2020, a economia da cultura e das indústrias criativas no Brasil movimentou R$ 230,14 bilhões, representando 3,11% do PIB e superando a indústria automobilística (2,1%). A pesquisa revelou, ainda, que a economia criativa gerou 7,8 milhões de novos postos de trabalho em 2023.
Estrutura do Projeto
O projeto está organizado em oito eixos estratégicos:
- Moda: capacitação e desenvolvimento de marcas voltadas à estética Hip Hop;
- Estúdio: formação para produtores musicais e técnicos de som;
- Audiovisual e Mídias da Quebrada: produção de videoclipes e podcasts, promovendo narrativas periféricas;
- Hip Hop em Ação: realização de workshops para artistas individuais e coletivos;
- Graffiti: capacitação e execução de murais artísticos em espaços degradados;
- Breaking: formação técnica para grupos de dança e realização de festivais;
- DJs: treinamentos e eventos para valorização de DJs da cena Hip Hop;
- Feira do Hip Hop do RS: circuito cultural e comercial para promover a economia criativa local.
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Foto: Anderson Martins