O Programa Open Industry Brasil, concebido para construir um ambiente de economia de dados do setor industrial brasileiro, foi apresentado em pré-lançamento nesta terça-feira (18) na sede da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília, durante o workshop “Compartilhamento de Dados na Cadeia Produtiva”.
A iniciativa pretende estruturar um ecossistema formado por agentes dos setores público e privado para a construção de um espaço protegido de fluxo de dados operacionais das indústrias que se tornará o primeiro Data Space do Brasil. O programa é inicialmente organizado pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc) juntamente com a ABDI e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e contará com a participação de outros parceiros para que seja também um espaço de diálogo, a fim de encontrar aplicações viáveis e que possam ser colocadas em prática.
“A ideia de participação do Open Industry Brasil foi fortalecida a partir de um outro programa da ABDI, chamado Agro Data Space, no qual avaliamos desafios e oportunidades para o desenvolvimento de um ambiente confiável e seguro que amplie o compartilhamento e o uso de dados no campo, de forma a permitir uma análise mais sistêmica da cadeia produtiva e agregar valor aos seus participantes”, explica a gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya (foto).
O compartilhamento de dados da cadeia produtiva não é uma questão simples, pois envolve uma série de questões como interoperabilidade, segurança, qualidade e privacidade dos dados, afirmou Isabela. “Por outro lado, oferece uma série de vantagens que incluem o desenvolvimento de novos modelos de negócios, produtos e serviços e a melhoria de processos, impulsionando a inovação. Nesse sentido, estamos realizando um estudo com a ABINC e o NEO [Núcleo de Engenharia Organizacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – NEO/UFRGS] para propor um business case. Vamos fazer um diagnóstico para entender quais os setores mais viáveis de implementação e desenvolver uma proposta juntamente com os atores públicos e privados”, acrescenta.
“A partir do conceito de Data Space, todos os setores serão provocados a entender o que está sendo feito com os dados que produzem. A partir desse estudo que estamos organizando, nós queremos entender como podemos ajudar e por isso estamos reunidos aqui hoje, pois contamos com a contribuição de todos”, agradece o presidente da Abinc, Paulo Spacca.
Compartilhamento de Dados na Cadeia Produtiva
O workshop foi uma reunião técnica com representantes dos setores público e privado com o objetivo de discutir a importância dos dados e de que forma eles podem ajudar o setor produtivo brasileiro a aumentar a eficiência, a produtividade e a competitividade.
O diretor do Comitê de Manufatura da Abinc, Maurício Finotti, abriu a discussão apresentando a evolução da unidade de informação e memória computacional. A capacidade de dados armazenados evoluiu de “bit” para “zettabyte”, ou seja, representa a quantidade expressiva de dados que já são gerados na rede global.
“Já é possível identificar uma interrelação dos dados gerados por setores econômicos. Por exemplo, identificamos um exponencial crescimento do consumo de remédios para emagrecimento e, de repente, já identificamos que uma grande indústria alimentícia já criou um produto direcionado a esse público”, ilustrou com exemplos, o diretor da Abinc.
Sobre o conceito de Data Space, Finotti esclareceu que se trata de uma estrutura aberta e descentralizada para a troca soberana de dados, cujos participantes conhecem, controlam e consomem dados que produzem e os serviços envolvidos. “O valor dos dados só cresce à medida que são compartilhados. Mas o risco também aumenta e, então, é necessário estabelecer mecanismos de confiança para, consequentemente, reduzir os riscos”, detalhou.
A importância da descentralização no compartilhamento de dados e de um ambiente regulado foram reforçados na participação online, direto da Alemanha, do gerente de Projetos da Associação Alemã de Fabricação de Máquinas e Instalações Industriais (VDMA), Maximiliano Wagner. “Na Europa, já existe o Common European Data Spaces e eles adotam leis e diretrizes que estabelecem a competitividade e a soberania dos dados. Esses são recursos essenciais para aplicação do Data Space em diferentes setores”.
O diretor do NEO/UFRGS, Alejandro Frank, destacou que já existem pelo menos 145 Data Spaces em andamento na Europa. “Manufatura é o setor que lidera, sendo os mais ativos. O Sm4rtenance é o espaço de compartilhamento Data Space 4.0, que inclui temas de manutenção preditiva das indústrias europeias”, disse.
Também estiveram presentes no evento a diretora de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Cristiane Vianna Rauen; a diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital substituta no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eliana Emedito de Azambuja; a chefe de representação da VDMA Brasil, Fabiane Wahlbrink; a pesquisadora da Esalq/USP, Maria Lídia Scoton; e representantes do Senai Nacional, do Instituto Eldorado e da ABIMAQ, entre outras empresas.