ABDI, Senai e Fiergs recuperam mais de 700 máquinas de 100 empresas atingidas pelas enchentes no RS

ABDI, Senai e Fiergs recuperam mais de 700 máquinas de 100 empresas atingidas pelas enchentes no RS

Convênio assinado entre instituições integrou ações do programa Recupera Indústria RS para auxiliar retomada de negócios

“Esse programa transformou as nossas vidas e vai ficar marcado em nossas memórias. Sem o auxílio do Recupera Indústria RS, hoje nós não teríamos condições de retomar a operação das máquinas e nem de manter a empresa funcionando. Estamos muito agradecidos ao Senai, à Fiergs, à ABDI e ao senhor Ricardo Cappelli, que esteve aqui e visitou a fábrica pessoalmente duas vezes”, diz agradecida dona Dulce Brenner, sócia-proprietária da ABL Plásticos, destacando o contato que estabeleceu com o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI (foto).

Dulce é uma das donas de uma indústria familiar que fabrica sacos plásticos em Canoas, no Rio Grande do Sul (RS), e foi beneficiada pelo Recupera Indústria RS. O parque fabril da ABL Plásticos foi tomado pelas enchentes de abril e maio de 2024, ocasionadas pelo excessivo volume de água das chuvas. As máquinas ficaram submersas. Consequentemente, pararam de funcionar.

Até o fim de janeiro deste ano, exatamente 726 máquinas industriais, de pelo menos 100 empresas do RS, voltaram a operar com o apoio do convênio de cooperação técnica assinado em julho do ano passado pela ABDI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). 

Com o objetivo de reabilitar o maquinário de micro, pequenas e médias empresas industriais gaúchas, gravemente atingidas pelas enchentes, o convênio viabilizou o aporte de R$ 9,4 milhões. O repasse está associado ao programa Recupera Indústria RS e contou com o encaminhamento de R$ 8,5 milhões da ABDI para o Senai-RS, o executor do acordo, ao qual coube a contrapartida de R$ 945 mil.

O valor concedido pela Agência foi destinado à aquisição de peças e componentes de manutenção corretiva das máquinas industriais e ao pagamento de mão de obra técnica terceirizada.

A Della Nonna, indústria alimentícia que tem como carro-chefe a Batata Palha Della Nonna e que neste ano completa 40 anos, também recebeu apoio do programa e recuperou uma câmara fria de armazenamento de 20 toneladas. Foram reparados os motores, os painéis de controle e toda a parte elétrica do equipamento.

Localizada próxima ao aeroporto de Porto Alegre (RS), no bairro Navegantes, o parque fabril da empresa ficou submerso em mais de dois metros de água misturada com esgoto, produtos químicos e combustível. Isso porque a empresa está próxima ao Rio Guaíba, a estabelecimentos como postos de gasolina e indústria de produtos químicos.

“O volume de água foi tão intenso que ela entrou por baixo, parte pelos diques que se romperam e parte pela tubulação de esgoto. A força da água levantou o chão da fábrica, que eram feitos com placas de isopor, e a câmara se partiu e abriu toda. Perdemos toda a mercadoria que tinha nela mais a câmara”, explica o sócio-proprietário Sérgio Sbabo.

“Foi muito difícil o que passamos e hoje só agradeço por minha empresa estar funcionando. Ficamos o mês de maio todo sem conseguir acesso à empresa e somente em setembro do ano passado voltamos a funcionar timidamente. O apoio do programa significou a minha sobrevivência, porque não teríamos condições de comprar uma câmara nova e ela foi perfeitamente restaurada”, conta Sergio.

Do parque fabril da empresa da dona Dulce foram recuperadas duas máquinas de corte e soldas de alta produtividade e reformadas as máquinas extrusoras (responsáveis por produzir moldes), bem como todos os componentes de eletroeletrônicos.

“Hoje, nossa capacidade produtiva é de mil quilos de sacos de lixo por mês, e a cada mês avançamos um pouco mais no volume de vendas e de clientes, como em uma escala progressiva. Até o momento, já conseguimos retomar 70% das vendas em relação ao período antes das enchentes”, completa dona Dulce.

“Após seis meses, estive novamente na empresa da dona Dulce e não tem preço ver de perto a alegria e a satisfação dela e da família por terem tido a oportunidade de retomar o próprio negócio. A ABDI tem a missão de apoiar o Governo Federal na realização de projetos que impulsionem o desenvolvimento do setor produtivo nacional, apoiando dos grandes aos pequenos negócios. Nosso sentimento aqui é de dever cumprido”, destaca o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli.

O convênio entre as instituições estabeleceu a meta de atender pelo menos 100 empresas com o investimento de R$ 85 mil para a execução do Plano de Ação Individual (PAI) de cada negócio. A metodologia PAI foi desenvolvida por pacotes de trabalho padronizados para a restauração do funcionamento mínimo de cada empreendimento a partir de avaliações técnicas e manutenções corretivas das máquinas.

A ideia é que as ações do Recupera Indústria RS tenham continuidade. Neste momento, está sendo estruturado o próximo plano de ação para o programa. “Estamos avaliando a possibilidade de iniciar um novo ciclo dessa parceria entre ABDI, Senai e Fiergs para expandir as iniciativas de reestabelecimento da indústria gaúcha”, comenta a analista de Produtividade e Inovação da ABDI Claudia Alves.

Recupera Indústria RS

O convênio assinado pela ABDI foi um importante auxílio ao Recupera Indústria RS, iniciativa do Sistema Fiergs e de sindicatos industriais engajados no restabelecimento das empresas do estado. Com execução do Senai-RS, o programa promove a recuperação de equipamentos, a qualificação profissional e a facilitação de contratação de novos talentos pelas empresas atingidas pelas enchentes.

A iniciativa tem como alvo o reerguimento de 10 mil estabelecimentos industriais de todo o RS e cumpriu cinco etapas: cadastro e autoavaliação, seleção, diagnóstico, execução e avaliação dos resultados.

“Estamos concluindo a quarta etapa do programa e em breve divulgaremos os resultados finais”, acrescentou Claudia.