Cidades inteligentes, inovação e protagonismo social marcam o primeiro dia do Festival Curicaca em Taguatinga

Cidades inteligentes, inovação e protagonismo social marcam o primeiro dia do Festival Curicaca em Taguatinga

Debates mostraram como tecnologia, cultura e ancestralidade constroem soluções coletivas para uma sociedade mais inclusiva e sustentável

O primeiro dia da edição do Festival Internacional Curicaca de Inovação e Sustentabilidade na Indústria, que aconteceu neste sábado (24), em Taguatinga, foi marcado por conversas que cruzaram tecnologia, cultura, ancestralidade e inovação social. O bate-papo “Cidade Inteligente”, comandado pela atriz e apresentadora Maria Paula, trouxe ao palco o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, e o ator Rainer Cadete, em uma troca descontraída, mas carregada de reflexões sobre como as cidades podem — e devem — ser pensadas para as pessoas.

Cappelli destacou logo no início o diferencial do Festival, que será realizado por todo DF. “Vamos transbordar por todo o Distrito Federal, por bares, por restaurantes, por espaços culturais. Quando a gente pensou em fazer esse evento, a gente falou: ‘mas vamos fazer um evento só na Arena BRB?’ Então a gente falou: ‘não, tem que envolver o Distrito Federal inteiro’. Vamos rodar as cidades todas e é isso que a gente está fazendo aqui”, afirmou.

O presidente da ABDI também ressaltou exemplos de como a tecnologia pode ser colocada a serviço da cidadania, citando o caso do aplicativo Conecta Recife, criado pela prefeitura durante a pandemia. “Isso é uma cidade inteligente. É você levar serviços públicos e inovação para a população. O governo tem essa obrigação de levar os direitos para o cidadão. Acho que esse é um exemplo de inovação que vale muito para cá”, refletiu.

Na mesma linha, Maria Paula lembrou que pensar cidades inteligentes é também pensar em sustentabilidade. “Cidade inteligente não é apenas tecnologia. É de que forma essa tecnologia está a nosso serviço, do povo e, principalmente, do planeta. As escolhas que vão proteger o planeta também são muito importantes”, reforçou.

O ator Rainer Cadete trouxe a importância da arte nesse contexto de transformação. “A tecnologia tem que ser envasada na arte, porque a arte é uma tecnologia ancestral. Hoje, um jovem da periferia, onde quer que seja, com um celular na mão e uma boa ideia, pode fazer um filme premiado, pode viralizar, pode transformar essa ferramenta em um palco, uma plataforma que empodera e dá voz para quem antes não tinha acesso”, destacou.


Inovar é coisa nossa: quando a vivência vira solução coletiva

Outro momento de debates do dia foi a palestra “Inovar é Coisa Nossa – Quando a cidade inteligente nasce da vivência e vira solução coletiva”, mediada pela pesquisadora Tamara Naiz, que abriu o debate destacando o papel da economia criativa como vetor de transformação social. “O setor da economia criativa usa a criatividade, o conhecimento ancestral e adquirido para transformar isso em inovação, em outras formas de perceber, de fazer, de construir, para gerar renda, impacto econômico e promover diversidade. As mudanças mais profundas são feitas por pessoas como nós, que estão ali no dia a dia, inspirando outras pessoas”, pontuou.


A multiartista e ativista indígena Ramona Jucá, lembrou que não há inovação sem reconhecer a própria história. “Não tem como a gente falar de inovação sem olhar para o nosso passado. São mais de 500 anos de invasão. A gente vem lutando a cada dia. O indígena quando perde seu território, vai para a periferia, vai para os subempregos. E hoje existe uma grande retomada”, declarou.

O influenciador Lucas Apostoli trouxe um relato potente sobre como a moda pode ser uma ferramenta de afirmação cultural e transformação social. “A roupa que eu visto hoje nasceu em Taguatinga. E hoje ela veste pessoas do Brasil inteiro. Isso mostra que Taguatinga é berço de arte, de moda e de muita coisa bacana. É muito bonito saber que a roupa que eu visto nasceu aqui. E eu, como alguém que fala de moda, de cultura e de arte, tenho muito tentado voltar esse conteúdo para minha cidade”, contou.


Tecnologia que conecta sem desconectar das pessoas

Encerrando o primeiro dia, a palestra “Conecta, Mas Não Desconecta – A tecnologia que cria cidades mais humanas” reuniu especialistas para refletir sobre como a transformação digital deve colocar as pessoas no centro. Mediado pelo professor Paulo Foina, diretor do Instituto MultipliCidades, o encontro trouxe perspectivas de diferentes setores.

O jornalista econômico Antonio Temóteo destacou a importância dos projetos de mobilidade sustentável, como a adoção de ônibus elétricos no Brasil, que combinam inovação, eficiência e responsabilidade ambiental.

A diretora de expansão do ICC e conselheira de Inovação e Governança, Lucila Simão, trouxe um olhar sobre a transformação digital do setor financeiro, com exemplos como o Open Finance e o Pix. “Essas inovações só foram possíveis porque a gente inverteu a ótica do interesse. Em vez de olhar para dentro das instituições, passamos a olhar para o cidadão, para o que ele realmente precisa. Isso é colocar o ser humano no centro, a cidade no centro, o cidadão no centro da entrega de valor”, explicou.

O professor Alexandre Kieling, da Universidade Católica de Brasília, fez uma provocação sobre o papel da academia no debate sobre tecnologia e inclusão. “A gente precisa entender o tamanho do crescimento que estamos mantendo e os caminhos que estamos seguindo com inteligência artificial, por exemplo. Isso não pode ficar restrito ao mundo acadêmico ou ao universo que produz tecnologia. Quando criamos um método de inclusão, de visibilidade para comunidades periféricas, isso é tecnologia social”, afirmou.

A assessora do projeto Diálogos Digitais da GIZ, Júlia Rosa, também participou do painel, complementando a discussão sobre os desafios de garantir que a tecnologia esteja sempre a serviço da inclusão e da construção de cidades mais humanas.


Atrações musicais

A programação musical deste sábado reuniu diferentes ritmos e expressões culturais. O grupo Baque Folha abriu os trabalhos no início da tarde com a força da percussão nordestina. Ao final do dia, o DJ Itin do Brasil assumiu as pick-ups com um set que passeia pelo bass, funk, rap e dub. A cantora Pratanes levou ao palco uma sonoridade que mescla reggae, jazz e R&B, com letras que exaltam identidade e ancestralidade. Encerrando a noite, a paulista Tássia Reis apresenta a turnê “Topo da Minha Cabeça”, com um repertório que transita entre soul, samba, rap e drill, em uma performance marcada pela inovação sonora e pela potência da música preta brasileira.

O Festival Curicaca continua neste domingo com uma programação diversa para todos os públicos. Confira: 


DOMINGO – das 10h às 18h

10h – Abertura

10h às 18h – Área de convivência: Feira, arena gamer, pista de just dance, domo planetário e espaço kids com oficinas

10h às 13h – Workshop: Tecnologia Simples para Problemas Reais – Aprenda a usar ferramentas digitais de forma prática para melhorar o serviço que você oferece

14h às 17h – Campeonato de Cosplay

Local: Associação Comercial e Industrial de Taguatinga (ACIT)

Endereço: QI 25, Área Especial, Setor Industrial (área da Facita)

Entrada gratuita

Classificação indicativa livre


Festival Curicaca nas Regiões Administrativas

Com foco em capilaridade e impacto positivo social e econômico, o Festival Curicaca nas cidades consolida a inovação como vetor de transformação industrial, urbana e desenvolvimento sustentável em todo o Distrito Federal. A versão itinerante do Festival passará por 10 Regiões Administrativas, de maio a setembro, levando um percurso formativo diversificado e alinhado às seis missões da Nova Indústria Brasil. Toda essa jornada de aprendizado prepara o DF para o Festival Internacional de Inovação e Sustentabilidade na Indústria, que acontecerá em outubro, na Arena BRB Mané Garrincha. A próxima edição será em São Sebastião, nos dias 28 e 29 de junho.