Com aporte da ABDI e ANA, iniciativas aprimoram soluções para redução de plásticos no meio ambiente

Com aporte da ABDI e ANA, iniciativas aprimoram soluções para redução de plásticos no meio ambiente

Em workshop realizado pela Agência, empresas premiadas no Desafio Saneamento do Futuro – Rio Sem Plásticos compartilharam resultados

Três iniciativas que fazem uso de tecnologias digitais e contribuem para redução de plásticos nos lagos, rios e mares brasileiros apresentaram, na quarta-feira (14/5), os avanços alcançados a partir do apoio financeiro concedido em 2023 pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

As iniciativas foram selecionadas como vencedoras do Desafio Saneamento do Futuro – Rios Sem Plásticos, promovido pelas agências. O concurso premiou projetos inovadores nas categorias Social, Gestão Pública e Indústria, destacando aqueles que melhor incorporam tecnologias digitais para combater a presença de plásticos no meio ambiente.

Durante workshop realizado virtualmente pela ABDI, os representantes das iniciativas compartilharam os resultados obtidos com o recurso recebido. Ao todo, o desafio destinou R$ 1,98 milhão às soluções mais promissoras. Cada uma das três melhores iniciativas foi contemplada com R$ 440 mil, valor que está sendo utilizado para viabilizar seus planos de negócio e ampliar o alcance de suas soluções no mercado.

“A ABDI atua, ao longo dos anos, na identificação, seleção e promoção de soluções tecnológicas com potencial de alavancar a economia nacional. Apoiar a transformação digital no setor produtivo impacta não apenas o setor privado, mas traz benefícios relevantes para o país como um todo”, destacou Leonardo Santana, gerente substituto da Unidade de Transformação Digital da Agência.

A analista de Produtividade e Inovação da ABDI Bruna de Castro afirmou que um concurso do tipo permite mobilizar o sistema de inovação em torno do problema e a estimular trajetórias, métodos e técnicas não usuais. “A transformação digital e a difusão dessas tecnologias podem induzir e promover a transformação do Brasil na caminhada da sustentabilidade. Nosso concurso teve o desafio de reconhecer essas soluções inovadoras que contribuem nessa caminhada”, disse.

O workshop contou ainda com a participação de Ana Carolina Argolo, diretora da ANA, e de dois dos quatro avaliadores do desafio: Zilda Veloso (ANA) e Carlo Renan de Brites, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

Conheça os projetos e seus avanços

Laboratório de Educação e Design Circular (Cirandar)

Vencedora da categoria Social, o Cirandar é uma solução inovadora da empresa Criatura Lab, localizada em Olinda (PE), para combate à poluição plástica nos corpos hídricos do Recife. A empresa desenvolveu uma máquina de prensa fria e utiliza um forno industrial para processar o resíduo plástico coletado por cooperativas de catadores.

Com o apoio do prêmio, a capacidade de produção foi ampliada e novos produtos foram criados. “A prensa, por exemplo, consegue processar 1,2 tonelada por mês”, explica Isaac Filho, um dos idealizadores do projeto. Além dela, hoje o Cirandar conta com uma forrageira, máquina muito comum no setor do agro utilizada para trituração em menor escala, o que permitiu ampliar a diversidade das chapas e a criatividade dos mobiliários.  

Por meio de oficinas educativas, o material é transformado em objetos idealizados por alunos de escolas da rede pública e/ou universidades. Os itens desenvolvidos são utilizados pelos próprios alunos, como jogo de tabuleiro e gols de futebol. Com o prêmio da ABDI, o projeto conseguiu ampliar a formatação educacional e a possibilidade de parcerias. Agora, promove palestras, oficinas, imersões, visitações, exposições em feiras e até cursos de extensão em parceria com universidades.

O objetivo do Cirandar é formar um ecossistema em prol do fomento da economia circular de resíduos plásticos. Adicionalmente, o projeto desenvolveu uma linha de mobiliário urbano a partir do lixo da cidade, como mesa de fut, barrinha cirandar, mesa de dominó, entre outras. Destaque para o banco linear (foto) que, em apenas uma unidade, chega a utilizar 400kg de plástico, ou seja, material que poderia estar no meio ambiente. Além disso, as peças compõem o catálogo da Cirandar e já foram expostas em grandes eventos como a Campus Party e o Brazilian Circular Hotspot.

Ladrilhos Paisagens do Sertão

De Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, o projeto Ladrilhos Paisagens do Sertão, mais bem colocado na categoria Indústria, tem reaproveitado resíduos plásticos provenientes da coletiva seletiva e transformado em produtos de alto valor agregado, como revestimentos de parede e mobiliário destinados às áreas de arquitetura e construção civil.

“Durante o desenvolvimento do projeto, a gente aprimorou e diversificou as aplicações e utilizou todo o aprendizado para melhorar as linhas do nosso trabalho”, explica Flávia Vanelli, administradora do Projeto.

Com o recurso do Desafio, o projeto conseguiu melhorar as tecnologias utilizadas, como a aplicação de tecnologia 2D e, também, incorporar a impressão 3D no plástico reciclado pelas cooperativas, aprimorando o resultado do material final gerado. Além disso, o projeto possuía apenas uma prensa, desenvolvida e adaptada para o negócio. Hoje, com a prensa adaptada, eles chegam a recuperar 223kg de resíduos diariamente.  

Outra tecnologia é que os produtos gerados a partir da reciclagem recebem um QR Code que remete a todas as informações da cadeia de produção. “A partir do momento que a cooperativa separa o material, ela coloca fotos e vídeos, nota fiscal e faz o check in em nossa plataforma. Essa tecnologia também foi aprimorada para que a gente pudesse contar isso da melhor forma para os clientes finais e marcas, envolvendo todos nessa cadeia circular”.

No ano passado, a Ladrilhos Paisagens do Sertão retirou 255 mil kg de aparas industriais e de coletiva seletiva recuperadas, evitando o depósito em aterros.

HRios Ecobarreiras

Selecionada como melhor solução da categoria Gestão Pública, a HRios Ecobarreiras Inteligentes desenvolveu uma estação ambiental com uma ecobarreira para ser instalada na intercessão entre rios e mares. A estrutura opera a partir de um ecossistema de energia solar autônomo e impede o escape de resíduos sólidos para os oceanos. Com um sistema analítico de vídeo e imagem capaz de qualificar os resíduos capturados, analisa, por georreferenciamento, o ponto da coleta e os tipos de plásticos capturados em determinada região.

A ecobarreira inteligente também tem filtros para recolher microplásticos e avalia o tipo de problema existente no curso hídrico que escapa para os oceanos. Cada estrutura tem capacidade de capturar 1,4 tonelada de resíduos por ciclo. Quando um filtro atinge a capacidade máxima, o sistema envia um recado para os agentes ambientais locais sinalizando a necessidade de troca. Todo o processo gera um relatório em tempo real.

Em 6 de dezembro do ano passado, a solução foi instalada no canal de São Francisco, um dos principais canais com escape de resíduos para a Baía de Guanabara. A meta da HRios é reduzir de 90% a 100% o escape de todos os resíduos de cada curso hídrico.

Marcius Costa, do projeto, lembra que foram feitas parcerias institucionais com grandes grupos e outras empresas, além da participação em eventos, onde pôde apresentar a tecnologia.