E-commerce.BR fortalece vendas on-line de empresas do Piauí

E-commerce.BR fortalece vendas on-line de empresas do Piauí

Made in Piauí, plataforma premiada no edital da ABDI e do MDIC, reúne empresas locais em uma vitrine digital com pagamento e logística integrados para ampliar as vendas on-line

Imagina disponibilizar, em uma só plataforma, produtos típicos e originários do Piauí, com possibilidade de entrega para todo o País. Essa é a proposta do marketplace Made in Piauí que, com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vem conectando empresas locais em uma vitrine única de vendas, com estrutura de site, meios de pagamento e suporte ao processo logístico para que os negócios consigam vender on-line e enviar produtos para clientes de todo o Brasil.

A plataforma foi desenvolvida pela Investe Piauí, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) e o Piauí Instituto de Tecnologia (PIT). A rede formada pelas três instituições está entre as premiadas do edital E-commerce.BR, na categoria Soluções para Entregas e Distribuição. Criado pela ABDI em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa busca impulsionar o comércio eletrônico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nesta semana, equipes da ABDI e do MDIC deram continuidade às visitas técnicas às nove redes de inovação vencedoras. Em Teresina, a agenda incluiu o acompanhamento do Made in Piauí, única representante do estado entre as iniciativas que receberam o prêmio de R$ 380 mil na etapa piloto.

Para Victor Teles, analista de Produtividade e Inovação da ABDI, essa é a oportunidade de observar como a estrutura do marketplace está se traduzindo em adesão de empresas e acesso ao mercado digital. “Mesmo em fase de execução piloto, já dá para ver o impacto. O catálogo reúne mais de 230 empresas cadastradas, o que mostra a força da iniciativa e a capacidade de mobilização no estado”, afirma.

Além de funcionar como vitrine para produtos e serviços piauienses, o suporte operacional é um diferencial do marketplace. De acordo com Gustavo Dias, gerente da Investe Piauí e coordenador do projeto, a equipe acompanha o empreendedor desde o início da jornada no digital.

“A gente dá suporte no cadastro do produto, na organização das informações e no acompanhamento das vendas. O empresário recebe o pedido e providencia o envio dentro do prazo estipulado, com entrega realizada pelos Correios. Graças ao prêmio, conseguimos ampliar nossa atuação em 11 dos 12 territórios do estado, com empresas de 41 municípios piauienses”, explica.

O aporte recebido na etapa piloto também viabilizou ações para acelerar a adesão de mais empresas e o giro de vendas, como impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, campanhas de desconto e isenção de taxas de venda para lojistas em períodos específicos. “Tudo isso ajudou a atrair mais negócios e ampliar o alcance do projeto, que já registrou entregas em 22 estados e tem expectativa de iniciar vendas internacionais até o fim do ano”, completa Gustavo.

A FAPEPI, que integra a rede, destaca o papel do edital no fortalecimento do ecossistema local. Para o diretor Ernaldo Vale, essas iniciativas ajudam a reduzir desigualdades históricas no acesso à inovação. “Os grandes investimentos costumam se concentrar no Centro-Sul, e projetos como o Made in Piauí ajudam a organizar capacidades locais e levar os pequenos negócios para o digital com estrutura”, afirma.

Impacto nas empresas locais

Com a plataforma, a presença on-line passou a ser realidade para muitos negócios do Piauí. É o caso da Chico Xique, que entrou no marketplace em novembro e, antes disso, vendia pela internet apenas por WhatsApp e Instagram. “Era uma venda por mês, no máximo duas. Com a entrada na plataforma, as vendas para fora de Teresina passaram a ser recorrentes, com pedidos chegando toda semana”, afirma a gerente Monica Dornelas.

O mesmo aconteceu com o Clube Atlético Piauiense, que só passou a vender on-line a partir da iniciativa. Segundo Édson Sá, presidente do clube, a loja não tinha infraestrutura nem capilaridade para montar um e-commerce. “A plataforma abriu as portas e facilitou o acesso ao Brasil. Hoje conseguimos vender para torcedores de fora, com quase 30% das vendas sendo para o Sul e o Sudeste”, afirma.

A empresária Ramos Miranda, administradora da Coco e Flor, também destaca que o marketplace viabilizou a venda nacional dos sabonetes feitos com coco de babaçu, matéria-prima do estado. “Antes, não existia logística para isso. Agora conseguimos dar visibilidade a um produto diferente e único, com característica do nosso Estado”, diz.

Além da venda de produtos, o ambiente digital também abre espaço para serviços, como turismo e hospedagem. Segundo Igor Lira, CEO da Lira Ecoparque, a pousada entrou em fevereiro deste ano e a resposta veio rápido. “No último mês, quase 60% das reservas vieram pela plataforma. Fevereiro costuma ser um mês de baixa, e tivemos a pousada lotada por conta da inclusão”, afirma.

Para Armystron Gonçalves, CEO da Begum Criações, a iniciativa tem ajudado a tornar as vendas on-line viáveis, com suporte em todo o processo e mais confiança para o cliente. “Em outros marketplaces a gente é só mais um. Aqui existe uma chancela de credibilidade, e isso gera confiança para quem vende e para quem compra”, afirma.

De acordo com o coordenador do projeto, a expectativa é ampliar ainda mais a facilitação do processo logístico, com a implantação de um modelo de fulfillment. O objetivo é estruturar um depósito para armazenar produtos de fornecedores com maior recorrência de vendas. “A ideia é que, quando ocorrer a venda, o envio já saia a partir da estrutura do marketplace, sem a necessidade de o empresário postar o produto a cada pedido. Esse avanço só está sendo possível por conta da premiação”, afirma Gustavo.

Edital E-commerce.BR

O edital destinará R$ 4,92 milhões para fomentar as vendas on-line e prevê impactar mais de 1.000 empresas fora do eixo Sul-Sudeste até o fim de 2026. Na fase piloto, nove projetos receberam R$ 380 mil cada e três deles avançarão para a etapa de escala, com aporte adicional de R$ 500 mil.

No Nordeste, quatro iniciativas foram premiadas na primeira fase do edital, que contemplou projetos no Piauí, Bahia, Alagoas e Paraíba. A região é a única com projetos premiados nas três categorias do edital.

O comércio eletrônico movimentou R$ 225 bilhões no Brasil em 2024, crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC. Apesar da expansão, a concentração regional ainda é elevada: o Sudeste responde por 77,2% das vendas on-line, enquanto o Nordeste representa 5,5%. “Os dados mostram os desafios da digitalização fora dos grandes centros. A expectativa é que iniciativas como o E-commerce.BR tragam resultados consistentes e ajudem a reduzir a desigualdade regional que ainda existe nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, afirma Rodrigo Lobato, analista de Comércio Exterior do MDIC.