O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli (foto), participou, nesta segunda-feira (26/5), de um dos painéis do Fórum Nova Indústria Brasil (NIB), realizado no teatro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro (RJ).
O evento foi promovido em comemoração ao Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, e contou com a presença de empresários e autoridades, como o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Em painel cujo tema central foi o papel do setor produtivo na transição para uma economia verde, Cappelli debateu o assunto com o secretário-executivo do MDIC, Marcio Rosa, os presidentes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Celso Pancera, e da Petrobras, Magda Chambriard, além de representantes da Vale, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e da academia.
Em meio a reflexões sobre o crescimento da indústria e a ampliação de empregos no setor, abordando desafios como juros altos, o presidente da ABDI tratou das iniciativas da Agência para promover a reindustrialização nacional em direção à sustentabilidade.
“A Agência Nacional de Mineração (ANM) tem cerca de 200 mil processos em fila. Vamos zerar os 40 mil processos centrais até outubro, aplicando soluções de inteligência artificial e de modernização administrativa e normativa. Isso tem tudo a ver com o tema do painel: sustentabilidade e transição energética”, apontou, referindo-se ao Acordo de Cooperação Técnica assinado pela ABDI e a ANM no âmbito do Destrava Brasil. O programa tem como objetivo apoiar agências reguladoras na modernização de seus sistemas, eliminando gargalos em prol do crescimento econômico sustentável no país
Segundo Cappelli, a transição energética depende diretamente do acesso a minerais estratégicos. “Não se faz transição energética sem minerais estratégicos, sem terras raras”, concluiu.
Recircula Brasil
Cappelli deu destaque ao projeto Recircula Brasil, desenvolvido pela ABDI em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e selecionado como uma das melhores práticas de economia circular na categoria “embalagens em geral” no Fórum Mundial de Economia Circular (World Circular Economy Forum – WCEF), realizado este mês, na capital paulista.
“É uma plataforma que, a partir da nota fiscal eletrônica, a gente consegue mapear toda a utilização de material reciclado na indústria do plástico, certificar massa, volume, tudo o que está sendo utilizado nessa indústria”, explicou, depois de lembrar a citação do projeto, pela ONU, como referência internacional no que diz respeito a sustentabilidade.
“A gente está fazendo isso com a Abiplast, mas avançando, discutindo com a Associação Brasileira do Alumínio [Abal], com a Abividro e com a Abit, também”, acrescentou, com menções às associações brasileiras da Indústria de Vidro e da Indústria Têxtil e de Confecção.
Catadores e cooperativas
Ao tratar da economia circular como uma dinâmica sem volta no mundo em que a ABDI está envolvida para a proteger e certificar a sustentabilidade da indústria brasileira, o presidente da Agência ressaltou a necessidade de atenção a um ator frágil, porém essencial do processo: o catador de materiais recicláveis.
Para Cappelli, qualificar a produção dos catadores é fundamental para otimizar a inserção deles na economia circular – uma vez mais bem equipadas, as cooperativas da categoria podem agregar valor às suas coletas e vender, desta forma, direto à indústria.
“Aqui, fica um desafio. A gente, pela ABDI, acabou de assinar um convênio de R$ 17 milhões para estruturar três cooperativas de catadores para eles conseguirem vender direto para a indústria química”, informou, sobre a iniciativa formalizada em 6/5 por meio do programa Coopera+.
“Mas eu acho que a gente tinha que pensar um projeto mais amplo no país, com os bancos públicos pegando as cooperativas de catadores e investindo para que elas possam elevar o padrão de qualidade do trabalho para vender direto para a indústria, pulando intermediários e, aí, inserindo, na cadeia de sustentabilidade, essa parte mais frágil, que são os catadores”.
Também participaram do painel o diretor da Cadeia Integrada da Vale, Vagner Loyola, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos, e a doutora em Direito Ambiental Patrícia Iglesias.
Foto: Carlos Albuquerque