Indústria mantém trajetória de crescimento em 2025, apesar da desaceleração no fim do ano

Indústria mantém trajetória de crescimento em 2025, apesar da desaceleração no fim do ano

Setor fechou os 12 meses com alta de 0,6%, após crescer 3,1% em 2024

A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento acumulado de 0,6%, registrando o terceiro ano consecutivo de expansão, embora em ritmo inferior ao observado em 2024, quando o setor avançou 3,1%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM Brasil), divulgada pelo IBGE.

Apesar do desempenho anual positivo, o fechamento do ano foi marcado por perda de dinamismo. Em dezembro, a produção industrial recuou 1,2% frente a novembro, pior resultado desde julho de 2024. Na comparação com dezembro de 2024, houve leve alta de 0,4%, interrompendo dois meses seguidos de retração. A média móvel trimestral, porém, ficou em –0,5%, indicando desaceleração. A produção industrial segue 0,6% acima do nível pré‑pandemia, mas ainda 16,3% abaixo do pico histórico de maio de 2011.

De acordo com análise da Unidade de Monitoramento e Avaliação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), assinada pelos economistas Roberto Pedreira e Ricardo Amorim, o resultado de 2025 deve ser lido dentro de um ciclo recente de recuperação, mas também em um contexto econômico e geopolítico significativamente mais desafiador.

A análise aponta que, entre 2023 e 2025, a indústria como um todo acumulou crescimento de 3,8%, enquanto a indústria de transformação avançou 2,4%. Já entre 2024 e 2025, alguns segmentos apresentaram resultados expressivos, com destaque para Bens de capital: +7,4%; Bens intermediários: +4,0%; Bens de consumo duráveis: +13,5%, impulsionados principalmente pela produção automobilística (+8,8%). Esse ciclo foi interrompido por uma combinação de fatores externos e internos.

Na comparação entre 2024 e 2025, a diferença de ritmo é significativa: enquanto o ano anterior foi marcado por forte expansão, 2025 refletiu um cenário de juros elevados, maior incerteza externa e adiamento de decisões de investimento, segundo a análise da unidade.

Entre os fatores que afetaram a atividade industrial em 2025, o estudo destaca:

  • Elevação acentuada da taxa de juros, reduzindo margens, encarecendo investimentos e freando a expansão produtiva;
  • Conflitos internacionais, que aumentaram custos e provocaram desabastecimentos pontuais em cadeias produtivas;
  • Maior agressividade comercial dos Estados Unidos, ampliando a instabilidade global e reduzindo a previsibilidade para decisões de investimento;
  • Oscilações constantes no cenário geopolítico, dificultando a construção de horizontes de planejamento de médio e longo prazos.


Dezembro reforça quadro de perda de fôlego

De acordo com aPIM Brasil, o recuo de dezembro foi disseminado entre os ramos industriais: 17 dos 25 setores pesquisados registraram queda na passagem de novembro para dezembro. Os recuos mais intensos vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%). Também houve perdas expressivas em equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-9,2%), têxteis (-9,0%), minerais não metálicos (-6,6%) e máquinas e equipamentos (-4,6%).

Por outro lado, oito atividades apresentaram crescimento no mês, com destaque para coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (+5,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+6,7%) e indústrias extrativas (+0,9%), o que ajudou a conter uma queda ainda mais intensa do índice geral.

O enfraquecimento do ritmo também aparece quando se observa o comportamento das grandes categorias econômicas. Todas recuaram em dezembro frente a novembro, com destaque para bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%), segmentos diretamente ligados ao investimento e ao consumo de maior valor, tradicionalmente mais sensíveis ao custo do crédito e às expectativas sobre a economia.

Projeções para 2026

A análise da Unidade de Monitoramento e Avaliação da ABDI indica que “o desempenho industrial em 2026 estará condicionado à capacidade de contornar e superar os fatores que pressionaram o setor ao longo de 2025”, sobretudo o ambiente macroeconômico e a instabilidade geopolítica internacional, que elevaram custos, reduziram o apetite por investimento e dificultaram o planejamento. O estudo ressalta que parte relevante das dificuldades enfrentadas pela indústria teve origem fora das fábricas, afetando cadeias produtivas e decisões empresariais. Nesse contexto, enfrentar essas restrições é apontado como o principal desafio para a atividade industrial ao longo de 2026.

Foto: Getty Images