Inovação aponta novo caminho para gestão de resíduos do jeans e práticas mais sustentáveis na indústria têxtil

Inovação aponta novo caminho para gestão de resíduos do jeans e práticas mais sustentáveis na indústria têxtil

Painel realizado pela ABDI, em parceria com a ABIT e a startup J.GE, apresentou tecnologia capaz de transformar resíduos da produção e do acabamento do jeans em insumos reutilizáveis

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) e a startup J.GE, realizou o painel “Desafios na gestão de resíduos têxteis”. A empresa apresentou uma solução inovadora capaz de transformar os resíduos gerados na produção e no acabamento do jeans em insumos reutilizáveis. A iniciativa oferece uma nova abordagem para a indústria na gestão de resíduos de lavanderias e processos de tingimento, apontando para práticas mais sustentáveis.

“Desde o primeiro contato, percebemos o potencial dessa solução para gerar impacto ambiental real no setor têxtil. Temos trabalhado para que essa tecnologia seja amplamente conhecida e aplicada no Brasil”, afirmou Neide Freitas, assessora especial da ABDI.

A tecnologia da J.GE aborda o ciclo produtivo do jeans, que atualmente gera resíduos em duas etapas principais: o tingimento do fio e a lavanderia, ambos culminando no descarte em aterros sanitários. A inovação proposta pelo projeto elimina essa etapa, prevenindo a decomposição da matéria orgânica e a consequente emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO₂) e o metano, altamente nocivo.

De acordo com a startup, o resíduo industrial (lodo) gerado nas lavanderias deixa de ser enviado ao aterro e passa a ser destinado a uma usina de reciclagem. O material tratado retorna à própria cadeia produtiva, fechando o ciclo e consolidando uma economia circular.

Camila Zelezoglo, da ABIT, enfatizou o compromisso da associação com a moda sustentável, mencionando o acordo recém-assinado com a ABDI para estudar a rastreabilidade e a destinação de resíduos industriais e pós-consumo. Ela destacou ainda que o desafio reside em levar soluções acessíveis, especialmente para as pequenas e microempresas que compõem a maioria do setor e muitas vezes não possuem alternativas para a destinação adequada dos resíduos tratados.

“A gente precisa cada vez mais casar o desenvolvimento econômico, atrair empresas para formalidade e dar soluções que sejam, de fato, acessíveis. O custo não tem como ser alto, porque, no Brasil, o nosso mercado é muito competitivo”, afirmou Camila.

ABDI na COP30

A ABDI participa da COP30 com uma programação voltada a evidenciar o papel da indústria na agenda climática. Com apoio da Daikin, a Agência apresenta um pavilhão de 70 m² na Green Zone, que promoverá 42 painéis temáticos sobre economia circular, bioeconomia, eficiência energética e instrumentos de financiamento para a transição produtiva, entre os dias 10 e 21 de novembro. O espaço conta com infraestrutura para recepção de delegações e atividades técnicas, incluindo conexão de alta velocidade via satélite de média órbita disponibilizada pela Telebras.

Além da atuação no pavilhão próprio, a ABDI integra debates no Pavilhão Brasil e na Zona Azul (Blue Zone), área onde ocorrem as negociações oficiais e a Cúpula de Líderes Mundiais, reforçando a colaboração institucional com ministérios, entidades empresariais, universidades e organizações dedicadas ao desenvolvimento sustentável.

Sobre a ABDI

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e tem como missão promover a transformação digital, a inovação e o desenvolvimento produtivo sustentável no Brasil. A ABDI atua conectando governo, empresas e academia para a construção de uma nova economia verde e inclusiva, baseada em conhecimento, tecnologia e sustentabilidade.