Vendas de pequenas empresas pela internet crescem 1.200% desde a pandemia

Vendas de pequenas empresas pela internet crescem 1.200% desde a pandemia

E-commerce nacional movimentou R$ 225 bilhões em 2024, com maior concentração pela região Sudeste. ABDI e MDIC atuam para fortalecer o comércio eletrônico em outras regiões do país

As vendas de micro e pequenas empresas brasileiras pelo comércio eletrônico cresceram perto de 1.200% nos últimos cinco anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bi em 2024. A região Sudeste concentra a maior parte, com 77,2% das vendas via e-commerce, seguida do Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e Norte (0,6%). As informações fazem parte da terceira edição do Dashboard de Comércio Eletrônico Nacional, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com dados da Receita Federal.

Para impulsionar o comércio eletrônico nas três regiões do país com menos participação em vendas desse tipo, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançou, no ano passado, em parceria com o MDIC, o edital E-Commerce.BR, com o objetivo de identificar e premiar soluções inovadoras voltadas para o comércio eletrônico. A iniciativa vai destinar R$ 4,92 milhões para incentivar a digitalização de micro, pequenas e médios empresas (MPMEs) das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.  

“O comércio eletrônico é um dos meios para o aumento de competitividade das empresas, capaz de gerar mais renda local, de ampliar a área das vendas e internacionalizar a atuação delas. Como apontado pela pesquisa, o Sudeste é a região que mais vende e compra pela internet e, justamente para reduzir essa disparidade regional, lançamos o edital E-commerce.BR, visando promover a inclusão das MPMEs das três regiões menos ativas nesse canal de vendas”, explica o gerente substituto da Unidade de Transformação Digital da ABDI, Leonardo Santana.

Os pequenos negócios são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Eles são mais de 95% dos empreendimentos e respondem por 30% do PIB e por mais de 50% dos postos de trabalho existentes no Brasil.

Programa em andamento

No último dia 28 de abril, a ABDI divulgou o resultado da primeira fase de seleção do edital. Foram selecionados 20 projetos que seguem para a etapa de mentorias – a primeira foi realizada em 14 de maio. Os projetos também receberão mentorias individuais de aperfeiçoamento metodológico, promovidas pela ABDI até julho, com ferramentas voltadas à melhoria e fortalecimento dos projetos.

Ao final das mentorias, nove projetos serão escolhidos para receber apoio financeiro no valor de R$ 380 mil, cada. Destes, três avançarão à fase de escala, prevista para 2026, com acompanhamento técnico da ABDI e um novo aporte de R$ 500 mil.

A expectativa da ABDI é que o edital impacte diretamente mais de 800 empresas, ampliando a participação das MPMEs no comércio eletrônico nacional, fortalecendo ecossistemas de inovação e estimulando o desenvolvimento econômico regional.

Panorama do comércio eletrônico nacional

No total, o comércio eletrônico com notas fiscais emitidas no país movimentou R$ 225 bilhões no ano passado, crescimento de 14,6% sobre 2023 e de 311% nos últimos cinco anos. Desde 2016, data de início da série, já foram negociados R$ 1 trilhão via comércio eletrônico no país.

Em valores, os produtos mais vendidos em 2024 no e-commerce nacional foram aparelhos de telefonia celular, (4,1% do total), livros (3,3%), refrigeradores (2,6%), televisores (2,2%), complementos alimentares (2,1%), máquinas digitais para processamento de dados (2,0%), calçados para esportes (1,1%), aparelhos para ar-condicionado (1,1%), pneumáticos de borracha (1,1 %) e outras participações capilares (1,1%).

Quando analisadas apenas as transações das MPEs, as obras de plástico saltam para a primeira posição no ranking, respondendo, em valores, por 2,7%. Na sequência, vêm complementos alimentares (2,1%), livros (1,6%), partes e acessórios de motocicletas (1,3%), calçados (1,2%), outras preparações capilares (1,1%), utensílios de mesa e cozinha (0,9%), móveis de madeira (0,9%), artefatos (0,9%) e acessórios para tratores e veículos (0,9%).

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, lembra que e-commerce foi impulsionado pela pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, e se manteve em alta devido à recuperação econômica do país depois disso.

“De um lado, esses números refletem as novas dinâmicas do mercado; de outro, o ritmo crescente de expansão da economia brasileira de 2023 para cá, muito acima daquilo que todos os analistas esperavam”, afirmou Moreira durante a apresentação do dashboard ao GT de Comércio Eletrônico do Fórum de Comércio e Serviços, criado pelo MDIC em 2023.

“Quando o presidente Lula assumiu o governo, a expectativa de crescimento econômico era de 1,6%; e o PIB cresceu 3,2%, com a taxa de desemprego batendo a mínima histórica.  Em 2024, o PIB cresceu 3,4% quando, a expectativa de crescimento era 0,9%, e a taxa de desemprego bateu de novo a mínima histórica de 6,6%, com o crescimento da massa de rendimento”.

Moreira destacou o crescimento de e-commerce entre 2022 e 2024 – alcançando 28,7% no geral e 76,3% para as MPEs. “Crescimento não cai do céu”, disse. “Ele é resultado de uma política econômica acertada e de ações de desenvolvimento contempladas em grandes projetos do governo Lula – como a NIB, o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica – que fazem com que o setor privado tenha o impulso para realizar seus investimentos”.

Ele citou ainda a valorização do salário-mínimo e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil como ações que impulsionam as vendas. “Quando você tem crescimento e distribuição de renda, você fortalece o poder de compra dos trabalhadores”.

Os números do Dashboard mostram que as empresas de médio e grande porte também tiveram forte crescimento nessa modalidade, mas em nível percentualmente menor – saindo de R$ 49 bi para R$ 158 bi no mesmo período, aumento de 220%.

Com informações do MDIC